Entrevista a Emílio Carvalho Domingues, candidato à presidência da Câmara Municipal de Barrancos

Decidir o presente e preparar o futuro de Barrancos

Natural de Barrancos e com mais de três décadas de dedicação à comunidade, Emílio Carvalho Domingues, independente, é candidato da CDU a presidente da Câmara Municipal. Em entrevista ao Avante!, o técnico superior da Junta de Freguesia de Barrancos fala sobre as prioridades para travar o despovoamento, reforçar os serviços públicos e valorizar a identidade cultural do concelho, apresentando uma equipa que garante conhecer bem a realidade local e os barranquenhos.

Barrancos tem um património cultural riquíssimo que precisa de protecção

És natural de Barrancos e tens um percurso de mais de 30 anos ao serviço da comunidade barranquenha, quer na política, quer no movimento associativo. O que te levou a aceitar o desafio de seres agora candidato à presidência da Câmara Municipal, como independente nas listas da CDU?

Acabou por ser um processo natural. Depois de três décadas de intervenção política e ao serviço da comunidade, senti o apoio das pessoas e isso foi determinante na minha decisão. Estou preparado para este desafio e a equipa que me acompanha dá-me todas as garantias e a confiança necessárias para honrar o compromisso que assumi perante os barranquenhos.

Barrancos continua a enfrentar dificuldades ligadas ao despovoamento e ao envelhecimento da população. Que propostas tem a CDU para garantir futuro ao concelho?

Esses são problemas comuns no Alentejo Interior, mas que para nós funcionam como motivação extra. A prioridade é assegurar o presente, criando condições para fixar população jovem e atrair novos residentes, garantindo habitação digna e qualidade de vida. É fundamental aumentar e melhorar o parque habitacional – com um programa municipal de apoio a obras particulares – e criar emprego, através da instalação de empresas que dinamizem a economia local. Só assim será possível incentivar jovens casais a constituir família, com estabilidade habitacional e segurança económica.

Como técnico superior na Junta de Freguesia de Barrancos, tens conhecimento directo das necessidades da população. Que avaliação fazes da evolução dos serviços públicos – saúde, educação, apoio social – e o que consideras prioritário no próximo mandato?

Barrancos reflecte a situação do País, com carências que o município tem procurado suprir. Na saúde, por exemplo, pagamos a um médico para garantir consultas ao fim-de-semana, colmatando falhas do Serviço Nacional de Saúde. Na educação, a articulação com a comunidade escolar é positiva e no apoio social, os programas municipais complementam apoios que deveriam ser garantidos pelo Estado. Vamos reforçar o serviço médico ao fim-de-semana, ampliar apoios sociais e exigir do Estado a assumpção das suas responsabilidades para com o concelho.

Barrancos tem uma localização fronteiriça e uma relação histórica de proximidade com Espanha. Que importância atribuis à cooperação transfronteiriça e que oportunidades podem ser aproveitadas nesse contexto?

Virar costas a Espanha seria um erro. Partilhamos uma história, proximidade cultural e relações socioeconómicas que beneficiam ambos os lados. Pretendemos reforçar e intensificar essa cooperação. Mas é também urgente garantir acessos rodoviários dignos, ligando Barrancos a Évora e a Beja em condições adequadas – não podemos aceitar o actual estado miserável das ligações.

A identidade cultural e o movimento associativo são marcas fortes de Barrancos. Como propões reforçar o apoio municipal à cultura, às tradições e às associações locais?

A nossa identidade é única. Barrancos tem um património cultural riquíssimo – do Castelo de Noudar à fala barranquenha, com gramática e dicionário próprios – que precisa de protecção. Propomos criar um Plano Cultural Municipal que garanta a preservação e promoção das tradições, com destaque para a tauromaquia. O apoio ao associativismo será reforçado, promovendo maior dinamismo e participação.

O que distingue a tua candidatura e a equipa que te acompanha das restantes forças políticas em presença?

Conhecemos profundamente Barrancos e os barranquenhos. Estamos preparados e comprometidos. A equipa foi escolhida com critério e trabalha desde Fevereiro neste projecto. É uma candidatura assente em responsabilidade, proximidade e compromisso, apoiada por muitos mais para além dos que compõem as listas.

Que mensagem queres deixar aos barranquenhos, neste momento em que se preparam para escolher os seus representantes?

Nestas eleições decidimos o presente e o futuro do concelho: o futuro das crianças, das famílias, da nossa terra. Não podemos desperdiçar projectos estruturantes como a regeneração urbana ou o caminho do Castelo, já aprovados e prontos a avançar. Mais do que escolher o futuro, é preciso decidir que futuro queremos e a quem o confiamos.

 



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