Turismo desregulado e “frente de esquerda” em Lisboa
Com a dita “frente de esquerda” em Lisboa (PS-L-BE-PAN), algumas forças políticas que a integram, mormente o seu principal partido, podem tentar escamotear as suas responsabilidades pelos problemas associados ao turismo na cidade. Vejam-se os factos.
PS viabilizou crescimento descontrolado de hotéis na capital
Tal como recorda a CDU numa recente publicação de dia 19, Lisboa padece, hoje, de uma “monocultura” do turismo, desregulada, não integrada e excludente de habitantes e outras actividades económicas. Só entre 2009 e 2023, abriram 147 hotéis na capital.
Cabe questionar se, no mandato de Carlos Moedas, os licenciamentos foram apenas aprovados por PSD e CDS. A resposta, para a CDU, é clara: «não». Seja aprovando ou abstendo-se, o PS viabilizou repetidas vezes o crescimento descontrolado de hotéis na capital, em inúmeros edifícios como o Palácio dos Correios, o Quartel da Graça ou o Hospital do Desterro.
O mesmo PS aprovou, em 2012, com o PSD, o PDM de Lisboa, claramente permissivo à especulação, e, em 2019, recusou-se (tal como a gestão Moedas voltaria a fazer em 2023) a pôr em prática o estabelecimento de limites críticos de intensidade da actividade turística na capital (medida aprovada após proposta do PCP).
Dada a similitude de posições de PS e PSD/CDS, cabe questionar: qual é a opção para um voto de esquerda? É a “frente de esquerda” liderada por um partido que viabiliza a desregulação e o crescimento descontrolado dos hotéis na cidade, ou a CDU, frente popular, unitária e de esquerda, que pretende enquadrar o turismo numa estratégia equilibrada para o desenvolvimento da cidade? Os factos falam por si.




