Barbárie e a hipocrisia
O criminoso governo israelita está prestes a concretizar mais uma fase do seu tenebroso plano de genocídio, limpeza étnica e ocupação da Faixa de Gaza. Ocupar de vez a cidade de Gaza e dali expulsar toda a população palestiniana é o próximo passo da barbárie. A decisão não surpreende os que há muito vêm alertando para os objectivos de Israel e dos seus aliados e apoiantes. Era uma evidência que este dia haveria de chegar e que o que esteve sempre em cima da mesa sionista e imperialista foi criar as condições para que a Faixa de Gaza deixasse de ser um território com palestinianos, um elemento mais do vasto plano de anexar o máximo de território com o mínimo de população palestiniana. O resultado da reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU de domingo foi o esperado. Os EUA não só mantêm o apoio incondicional a Israel como negam o genocídio. Por sua vez a União Europeia e suas principais potências mantêm o seu putrefacto exercício de hipocrisia relativamente à questão palestiniana e às relações com Israel.
Daqui a menos de dois meses, terão passado dois anos do inferno em que Israel transformou a Faixa de Gaza. Durante todo este tempo, a propaganda do “direito à defesa de Israel”, as manipulações em torno do “terrorismo” e do “perigo do Hamas”, as inacreditáveis declarações sobre “preocupações com a democracia na Palestina”, a forma como os “democráticos” aliados de Israel ignoraram olimpicamente a sentença do Tribunal Internacional de Justiça, e mais recentemente as tentativas de culpar a resistência palestina pela catástrofe humanitária, ou mesmo de a tentar apresentar como uma “invenção” dos “inimigos de Israel”, foram e são, entre outras pérolas de manipulação, elementos de propaganda que visam permitir e branquear o genocídio e uma sucessão de crimes de guerra e contra a Humanidade que nestes dias se estendem já aos territórios da Margem Ocidental e a Jerusalém Leste. Os processos negociais visando um “cessar-fogo” saldaram-se em manobras para Israel se reorganizar perante a resistência palestiniana e romper acordos (como sempre faz) voltando de cada uma das vezes com ainda mais terror à concretização dos seus criminosos objectivos.
Era uma evidência que uma posição clara e inequívoca do Conselho de Segurança seria sempre bloqueada pelos EUA e impossibilitada pela hipocrisia reinante nas “democracias ocidentais”. A mesma que leva agora o Governo português, em linha com várias potências imperialistas, a falar de um reconhecimento do Estado da Palestina, lá para Setembro, mas que não o é verdadeiramente. O que o Governo português defende na verdade é o reconhecimento de uma entidade com fronteiras indefinidas, sem verdadeira soberania sobre os seus territórios, sem meios para se defender, condicionado à capitulação da resistência palestiniana, com um governo escolhido (ou pelo menos aprovado) pela potência ocupante e seus aliados, e em que os milhões de palestinianos refugiados seriam esquecidos. Esta manobra do Governo português e de outros 15 governos ao qual se atrelou para tentar limpar a sua imagem, não é mais do que um exercício de ilusionismo hipócrita que em última análise pode servir para (como já se fez no passado) tentar obrigar o povo palestiniano a ainda maiores e mais dolorosas concessões, como as que fez com os acordos de Oslo. Só que no actual contexto, é ainda mais grave: é uma luz verde à continuação do genocídio. A luta pela Palestina livre, independente, viável e soberana continua, nas ruas. É aí que vamos ganhar este combate.




