Salário, preço e lucro
Tudo está mais caro, todos os dias. Alimentos, combustíveis, medicamentos, a casa. Aproximando-se a passos rápidos o início do ano lectivo, à conta acrescentar-se-ão as despesas com o material escolar, a roupa e o calçado.
Há notícias que têm o mérito de contabilizar a sensação de haver cada vez mais mês relativamente ao salário ou à reforma: «portugueses são os que mais gastam em alimentação da União Europeia – preços disparam 34% desde a pandemia», diz o Expresso, que acrescenta que a subida média dos preços nos outros países foi de 21,5%; o cabaz da Deco, que compara os preços de 63 produtos alimentares essenciais desde Janeiro de 2022, subiu 28,21%, titularam vários jornais.
A estes títulos podemos acrescentar outros: diz o Jornal de Negócios: «neste mesmo período de três anos, o salário mínimo aumentou 23,4% (…) e o salário médio cresceu 20,8%». E acrescenta a Euronews que os portugueses são «dos que gastam menos nas férias em comparação com a população de outros países europeus». Pudera.
E segue-se o reverso da medalha, desta vez com a clareza da Forbes: «as grandes empresas de distribuição nacionais continuam a crescer a um ritmo elevado. Depois da Sonae ter apresentado os seus resultados semestrais, batendo recordes quer no crescimento de vendas quer nos lucros, é a vez da sua concorrente directa, a Jerónimo Martins (…) que anuncia que o seu resultado líquido cresceu 6,6% (...) refere que o valor dos seus lucros atingiu os 269 milhões de euros, e as suas vendas, que cresceram de forma idêntica – 6,7% – atingiram, os 17.396 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2025».
“Salário, preço e lucro” - parece que há um livro com esse título que explica como funciona este mundo que nos entra pelos olhos e pelos bolsos dentro. Mas, como disse o autor, «o que importa é transformá-lo».




