Sem graça
O apoio dado pelas grandes potências imperialistas ao genocídio que está a acontecer na Palestina às mãos do regime sionista de Israel não se limita ao fornecimento massivo de armamento para alimentar a guerra e a morte. Há também todo um poderoso aparelho ideológico, com as grandes agências de notícias, cadeias de televisão, indústria do entretenimento, redes sociais, que estão a ser usadas para apagar e justificar os crimes e a barbárie.
Muitas vezes, os principais órgãos de comunicação social, incapazes de esconder o inferno a que estão sujeitos mais de dois milhões de palestinos, dão corda aos seus principais comentadores para assumirem o papel de negacionistas encartados. Em Portugal, o caso do Observador é talvez o que vai mais longe na mobilização de um pelotão de articulistas que se encarrega de colocar diariamente dois ou três artigos cá fora com o único propósito de legitimar a acção terrorista do regime de Israel. Se olharmos para o Expresso, Correio da Manhã ou para o Público, falando em imprensa escrita, o cenário não é muito diferente. E quanto ao panorama nas televisões, onde a onda reaccionária vai tomando conta da narrativa, o cenário pouco difere quanto ao número de avençados da embaixada de Israel. Quem se quiser dar ao trabalho de zappear programas de comentário político durante a semana perceberá, com honrosas excepções, do que estamos a falar.
A lista dos que se prestam a esse papel é longa. Entre os que se destacam como serventuários desta vaga reaccionária sinalizaria João Miguel Tavares (com textos quase diários no Público e programa na TV), não porque seja o mais capaz neste ofício de distorção da realidade, mas porque, ao mesmo tempo que o faz, procura ser engraçadinho. São os piores.
Diga-se de passagem que o tratamento noticioso dado a este conflito, quando falamos de mentira, censura e manipulação, não difere muito do que tem sido dado à guerra na Ucrânia, mesmo que alguns queiram ver nuances onde elas não existem. É preciso moldar consciências para continuar a guerra, para legitimar a acção do imperialismo e justificar a corrida aos armamentos. É preciso dividir o mundo entre bons e maus, Oriente e Ocidente, Norte e Sul, defensores da ordem e terroristas a abater. E esta perigosa e assustadora fascização do ambiente mediático não tem graça nenhuma.




