É preciso não ter memória curta
Não há democratização do ensino sem o acesso, permanência e sucesso de todos na escola
Lusa
Os docentes têm agora uma oportunidade para penalizar nas urnas os responsáveis por tais políticas.
Os conteúdos, bem como os métodos que têm norteado a política educativa de sucessivos governos do PS e do PSD/CDS, são meras aplicações da doutrina neoliberal ao ambiente educativo. Novas ofensivas sobre a Escola Pública, em todos os seus graus e níveis, tendem a promover um ensino que limita o acesso a conhecimentos que são reservados às elites, enquanto as camadas trabalhadoras apenas adquirem e treinam competências profissionais que serão postas ao serviço das necessidades flutuantes do mercado.
David Justino, ministro da Educação do XV governo, do PSD/CDS-PP, chegou a afirmar que a Lei de Bases da Educação, aprovada pela maioria de direita, pretendia «substituir o paradigma da Escola da Igualdade pela Escola da Liberdade», o que, traduzido na linguagem dos arautos da política de direita, significa que a Lei, se tivesse sido promulgada, consagraria a “liberdade de escolha” entre público e privado, com o Estado a assumir o financiamento dos colégios privados. Este é claramente o objectivo da revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo que PSD e CDS inseriram no Programa do Governo e se mantém no Programa Eleitoral.
Não é por acaso que o presidente do PSD afirmou na apresentação do Programa Eleitoral da AD, que a coligação «quer retirar carga ideológica» da educação, medida que faz parte do projecto de alteração à Lei de Bases do Sistema do Sistema Educativo, que se preparavam para fazer aprovar antes de serem afastados do Governo.
Defender e valorizar a Escola Pública
Seja pela via da legislação avulsa, visando a desresponsabilização progressiva do papel do Estado, na versão PS, seja pelo chamado direito de escolha ou do cheque ensino, na versão PSD/CDS-PP, o resultado final é o mesmo. Por isso, para quem defende uma Escola Pública, para todos, inclusiva, gratuita e de qualidade, liberta de imposições e dos interesses privados, que assegure a satisfação das necessidades dos portugueses, a opção no dia 18 de Maio é votar na CDU.
Uma Escola Pública que não vê respeitados princípios de gestão democrática, na qual os professores e educadores, bem como todos os outros trabalhadores da educação, são tratados com desdém pelos sucessivos governos e que vê a sua autonomia administrativa e financeira condicionada por interesses exteriores à sua actividade, é uma escola sufocada e capturada por interesses exteriores que não são os do País e dos portugueses.
É fundamental que a Educação pública seja sustentada numa organização da Escola e por políticas capazes de unir a instrução à formação para a cidadania, visando a participação crítica e activa de cada indivíduo na sociedade. Sem educação extensiva a todos, a democracia não se realiza. Não há democratização do ensino sem esforços sistemáticos que garantam o acesso, a permanência e o sucesso de todos na escola.
O PCP apresenta uma política alternativa e de esquerda que assume o legado da Revolução de Abril e aspira à construção de uma democracia simultaneamente política, económica, social e cultural. Nesse sentido, lutamos por um ensino público, desgovernamentalizado, autónomo e responsável, com os profissionais necessários, valorizados e motivados, ao serviço do povo e do País.
Três medidas essenciais que o PCP defende:
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Criação de condições de estabilidade profissional e de emprego para todos os trabalhadores das escolas, docentes e não docentes, a par da aprovação de medidas que acabem com a precariedade dos vínculos laborais, valorizem as suas carreiras que, no caso dos professores e educadores, assume uma importância decisiva para tornar atractiva a profissão e, assim, acabar com o flagelo da falta de professores com habilitação profissional;
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Respeito e consagração do desígnio constitucional da gestão democrática, segundo o qual os órgãos directivos devem legitimar-se democraticamente, de forma a acolher o pluralismo de interesses e opções dos elementos constituintes da comunidade escolar e garantir a autonomia dos estabelecimentos de ensino;
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Efectiva revisão curricular de modo a corresponder às necessidades do desenvolvimento actual da sociedade e da formação integral dos estudantes, sendo concretizado o princípio da igual dignificação das diversas vias do ensino secundário.
A educação sozinha não pode mudar a sociedade, é um facto, mas tampouco a sociedade muda sem ela. Nós sabemos isso, tal como aqueles que querem que tudo fique na mesma. Lutemos para que não seja como eles querem, a começar já no dia 18, votando CDU.




