Bipolarização, reaccionarice e coragem
Se há traços que marcam a cobertura mediática desta campanha eleitoral é a tentativa de promoção da bipolarização, afunilando as escolhas entre PSD e PS, a par da promoção dos valores, das concepções e das forças reaccionárias, não em contraponto mas em complemento com a estratégia e os objectivos que o grande capital pré-determinou».
Fazem da “corrida” entre a AD e o PS o eixo central dos noticiários, das entrevistas, dos debates e comentários, fabricando em muitos casos discordâncias sobre aspectos marginais para esconder a identidade que assumem na política que tem sido imposta ao País ao longo de décadas e de forma alternada por estes protagonistas. Os temas e ângulos de abordagem, para não variar, andam em torno da chamada estabilidade e da governabilidade, da necessidade dos consensos e dos pactos ditos de regime, das semelhanças e diferenças dos “casos” que cada um transporta às costas, da disputa entre uma espécie de esquerda e a direita, não a partir da substância, mas da aparência. A velha e falsa promoção das “eleições para primeiro-ministro” visa uma vez mais a concentração de votos nestas forças. Ao mesmo tempo, puxam por tudo quanto de mais reaccionário se tem vindo a disseminar na sociedade portuguesa. A título de exemplo o foco desproporcionado e os ângulos escolhidos para tratar a questão da imigração ao longo das últimas semana, com os objectivos e consequências que se imaginam, só podem ser entendidos como parte da estratégia de domínio que tem vindo a ser seguida pelo capital que está muito para lá das eleições, e do próprio Chega, e que assume de forma cada vez mais aberta o confronto com a Constituição e o próprio regime democrático.
Tudo isto dá ainda mais valor e importância à campanha da CDU. A única força que põe no centro o confronto entre os interesses do capital e os do povo. A única que, com coragem, não vacila perante a demagogia do Chega (sim, não votamos a favor nem credibilizamos nenhuma das suas propostas). A única que se assume pela paz e contra a guerra. A única que não se confina ao papel de “muleta” do PS e que toma a iniciativa pelos salários e pensões, pelo SNS, pelo direito à habitação, por um País soberano e desenvolvido.




