«Trabalhar para garantir que ninguém fique para trás»
A África do Sul tornou-se o primeiro país africano a presidir ao G20, o grupo dos países mais industrializados do mundo, que agora integra também a União Europeia e a União Africana como membros de pleno direito.
No final da recente Cimeira do G20 no Rio de Janeiro, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que recebeu do Brasil a liderança rotativa do grupo pelo período de um ano, declarou que aproveitará para incluir as prioridades de desenvolvimento do continente africano e do «Sul Global» com mais ênfase na agenda do grupo.
O crescimento económico inclusivo, a industrialização, o emprego e a desigualdade; a segurança alimentar; e a inteligência artificial e a inovação para o desenvolvimento sustentável – serão essas as prioridades da presidência sul-africana.
Ramaphosa felicitou o presidente do Brasil, Lula da Silva, que lhe passou o mandato presidencial, pelo êxito da sua «liderança inspiradora» e por ter promovido a participação da sociedade civil nos debates no âmbito da cimeira do Rio, que abordou com relevo o tema da inclusão social e da luta contra a pobreza e a fome.
«Continuaremos com essa inovadora plataforma de participação durante a nossa presidência», garantiu o dirigente sul-africano, salientando que tal prática está em linha com as tradições do seu país, consolidadas ao longo da luta que travou contra o apartheid e pela conquista da democracia.
O chefe do Estado sul-africano acolheu com satisfação a promessa dos seus pares de colocar um maior foco na perspectiva dos países com economias em desenvolvimento e aplaudiu a Declaração dos Líderes do G20 aprovada no Rio de Janeiro, que descreve as medidas a adoptar para a construção conjunta de um mundo melhor. «Como África do Sul, comprometemo-nos a impulsionar o trabalho do G20 visando lograr um maior crescimento económico mundial e um desenvolvimento sustentável», assegurou. E mais: «Vamos trabalhar para garantir que ninguém fique para trás.»
Aludiu aos desafios e crises actuais, que são exacerbados pela fragilidade da solidariedade global, o subdesenvolvimento paralisante e a desigualdade cada vez mais profunda. Acrescentou que mediante alianças em toda a sociedade, «a África do Sul procurará aproveitar a energia colectiva global para enfrentar tais desafios».
Em tal sentido, destacou que o lema escolhido para a presidência sul-africana é «Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade» e que se procurará avançar na concretização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e do Pacto para o Futuro, estabelecidos pelas Nações Unidas.
«Trabalharemos para abordar a desigualdade, que é uma grande ameaça para o crescimento económico e a estabilidade mundiais», prometeu. E sublinhou que estas disparidades se manifestam na falta de financiamento previsível e sustentável e na debilidade da criação de capacidade para a acção climática, assim como na esmagadora dívida que asfixia numerosos países.
Numa intervenção anterior, logo na primeira jornada da Cimeira do Rio, Ramaphosa citou estatísticas segundo as quais quase 700 milhões de pessoas vivem hoje na pobreza extrema. Pelo que, alertou, «devemos redobrar urgentemente os esforços para eliminar a pobreza e a fome, devemos promover a igualdade de género e devemos superar as crises planetárias das alterações climáticas».