Genocídio na Faixa de Gaza e expulsões em Jerusalém Oriental

Israel prossegue a agressão genocida contra o povo palestiniano e intensificou ataques contra o Líbano e a Síria. As autoridades palestinianas denunciam uma guerra de extermínio na Faixa de Gaza e uma “limpeza étnica” na zona de Jerusalém Oriental, por parte de Israel.

Vítimas dos ataques israelitas, foram mortos 44 mil palestinianos, 103 mil ficaram feridos e milhares estão desaparecidos


Tropas israelitas continuam os bombardeamentos na Faixa de Gaza, provocando dezenas de mortos e feridos naquele território palestiniano, sob fogo desde Outubro de 2023.

Num dos mais sangrentos massacres dos últimos dias, aviões de combate israelitas dispararam, no domingo, 17, mísseis contra um edifício residencial de cinco pisos que albergava pessoas deslocadas, na cidade nortenha de Beit Lahia. Segundo as equipas de resgate, citadas pela agência Wafa, o edifício bombardeado albergava 70 pessoas, na maioria crianças, mulheres e anciãos.

Outros ataques similares provocaram mais vítimas no campo de refugiados de Bureij, situado no centro deste território palestiniano ocupado.

Desde o início da actual agressão genocida israelita contra o povo palestiniano, há 412 dias, foram mortos quase 44 mil palestinianos, ficaram feridos mais de 103 mil e vários milhares continuam desaparecidos.

«Terrorismo» israelita
Um porta-voz palestiniano denunciou a escalada de violência do exército e dos colonos israelitas nos territórios ocupados, mas garantiu que os palestinianos se manterão firmes, perante as contínuas agressões.

«Os repetidos ataques dos colonialistas contra o nosso povo, incluindo uma incursão na aldeia cisjordana de Beit Furik, assim como os massacres na Faixa de Gaza, fazem parte da guerra de extermínio», realçou o porta-voz, num comunicado divulgado em Ramala. Tais acções requerem uma clara posição internacional, em vez de denúncias e críticas que não são efectivas, considerou, reiterando que seja parada a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza.

As autoridades palestinianas voltaram a condenar o apoio norte-americano a Israel, o seu principal aliado no Médio Oriente. «O terrorismo praticado por Israel e as suas sistemáticas violações ao direito internacional devem-se ao contínuo apoio financeiro, militar e diplomático de Washington», garantem. Por isso, afirmam, a Casa Branca tem toda a responsabilidade pelas repercussões desta perigosa política israelita. «Apesar da repressão, o nosso povo manter-se-á firme frente à ocupação», asseguram.

Expulsão dos palestinianos
A Palestina acusou Israel de executar uma limpeza étnica, expulsando palestinianos das suas casas e terras na zona ocupada de Jerusalém Oriental como parte da sua estratégica de “judaízação” da cidade.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Expatriados palestiniano denunciou, em comunicado, a demolição da sede da associação Al-Bustan, situada no bairro de Silwan.

Alertou que este crime confirma a política oficial israelita que pretende esvaziar Jerusalém dos seus habitantes originais, tornando-os refugiados, para os substituir por colonos.

O comunicado enfatiza que o objectivo é «a deslocação forçada e a limpeza étnica da presença palestiniana na Jerusalém ocupada, para perpetuar a sua judaização e anexação».

Todas as medidas de Telavive na zona oriental de Jerusalém são ilegais e inválidas, em conformidade com o direito internacional, os acordos assinados, os convénios de Genebra e as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sublinhou. «Jerusalém é uma parte integral do território palestiniano ocupado e é a capital eterna do Estado da Palestina», vincou.

Ataques ao Líbano
Prosseguiram, nos últimos dias, os ataques aéreos israelitas contra edifícios residenciais, em Beirute – incluindo no centro da cidade – e noutras localidades libanesas, causando inúmeras vítimas entre a população.

Num dos bombardeamentos, no domingo, 17, com a falsa justificação de atacar objectivos militares do Hezbollah e de outros grupos da resistência, os agressores israelitas provocaram grande destruição ao alvejar um edifício perto do Hospital São Jorge, em Hadath, e estragos numa igreja. O canal árabe Al-Mayadeen noticiou uma outra incursão israelita, contra um edifício de 12 pisos, na zona de Chiyah, no subúrbio sul de Beirute. Há registos de ataques em diversas zonas do Líbano, incluindo um contra uma escola secundária e outro contra um posto de transformação da empresa Electricidade do Líbano.

Até ao final da semana passada, o Ministério da Saúde libanês contabilizou 3.452 mortos e 14.664 feridos em consequência da intensificação dos ataques israelitas contra o Líbano.

Resposta da resistência
O Hezbollah informou que, nos últimos dois meses, em resposta à escalada da agressão israelita, levou a cabo 1.349 operações, uma média de 22 por dia, contra as forças israelitas.

Assim, desde 17 de Setembro, o movimento político e militar libanês efectuou ataques a colonatos, postos militares, bases e sítios fronteiriços pertencentes ao exército israelita. Precisou que o número acumulado de militares baixas sofridas por Israel ascende a mais de uma centena de mortos e de um milhar de feridos.

A informação pormenoriza que, em 60 dias, foram atacados pelas forças do Hezbollah veículos militares, centros de comando, campos de artilharia, fábricas de material militar e instalações de treino. Além disso, a resistência libanesa fez fogo contra aeroportos, fortificações e armazéns militares, entre outros alvos. Enfrentou 28 infiltrações terrestres do inimigo no sul do Líbano e bombardeou mais de 100 colonatos até 150 quilómetros da fronteira sul, o que forçou a deslocação de mais de 300 mil colonos israelitas.

 

Minoria árabe israelita sofre ataques de sionistas

Pelo menos 219 árabes israelitas foram assassinados, este ano, numa vaga de violência criminosa que atinge essa população, destacou o diário israelita Yedioth Ahronoth.

Nem mulheres e crianças escapam aos crimes racistas: desde Janeiro, perderam a vida 19 mulheres e oito menores de idade, revela o jornal. Como exemplo, aponta um ataque com granadas, no sábado passado, ocorrido na região de Sharon, que causou ferimentos em duas crianças, de dois e quatro anos. Há 10 dias, foram disparados tiros contra um autocarro que transportava crianças necessitadas de educação especial, ferindo gravemente duas delas e o motorista do veículo. Outro exemplo é o assassinato, com um artefacto explosivo lançado contra o seu automóvel, de um director de uma escola secundária.

Pelo menos 244 árabes foram assassinados em 2023 em Israel, um número que duplicou o registo de 2022, denunciou a organização não-governamental Iniciativas Abraham, grupo criado em 1989 para promover a integração e a igualdade dessa comunidade em Israel.

Os descendentes dos palestinianos que não foram expulsos das suas terras depois da criação do Estado de Israel, em 1948, denunciam desde então que são tratados de forma discriminada.

Um inquérito realizado em Março de 2022 revelou que 94 por cento dos árabes que vivem em Israel sofreram em alguma ocasião o racismo e a discriminação da população judaica.



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