Fome e pobreza debatidas na cimeira do G20 no Brasil
A terceira e última sessão da Cimeira de Líderes do Grupo dos 20 (G20), que decorreu nos dias 18 e 19 na cidade do Rio de Janeiro, dedicou os debates ao desenvolvimento sustentável e à transição energética. O fórum das 19 principais economias do mundo, mais a União Europeia e a União Africana, terminou com a cerimónia de entrega da presidência rotativa do G20 do Brasil à África do Sul.
A declaração, repleta de ambiguidades, faz menção aos conflitos na Faixa de Gaza, no Líbano e na Ucrânia, destacando «o sofrimento humano e os impactos negativos das guerras». Mas nada diz acerca dos responsáveis pela política de confrontação e guerra que incrementam a corrida aos armamentos, reforçam e criam blocos político-militares, promovem agressões militares e bloqueios – afinal, alguns dos que se sentam à mesa desta reunião, ou seja, os EUA e as outras potências reunidas no G7.
Sobre o Médio Oriente, o G20 destaca «a necessidade urgente de ampliar o fluxo de assistência humanitária e reforçar a protecção de civis e exigir a eliminação de todas as barreiras à prestação de assistência humanitária necessária». O texto consagra o direito dos palestinianos à autodeterminação, reitera o «compromisso inquebrantável» com a visão de solução de dois Estados, com base no direito internacional e nas resoluções pertinentes da ONU. Também nesta matéria, fica omissa a responsabilização daqueles que apoiam e protegem Israel no genocídio do povo palestiniano e que sempre obstaculizaram na prática a criação do Estado da Palestina.
A declaração manifesta o apoio à tributação progressiva, para que os mais ricos paguem impostos de forma mais efectiva, e nela é assumido o compromisso de continuar as discussões sobre a proposta brasileira da criação de um imposto global às grandes fortunas. Entre os países que integram o G20 estão muitos daqueles em que mais se têm agravado as desigualdades sociais e que promovem a fuga organizada e “legalizada” aos impostos e que nada fizeram para acabar com os offshores.