Tarefeiros de serviço
O Orçamento do Estado (OE) para 2025 foi votado na sexta-feira passada e aprovado na generalidade. De olho nos interesses dos poderosos, PSD e CDS votaram a favor, o PS absteve-se para o viabilizar, enquanto o Chega e a IL simularam, no voto contra, divergências profundas, quando, na prática, o que ambicionavam era levar mais longe este instrumento político, para que os grupos económicos e financeiros, seus criadores, ficassem melhor servidos.
Aliás, é curioso, que no período de discussão, na generalidade, PSD, PS e Chega se tenham «pegado», acusando-se mutuamente de tarefeiros uns dos outros. PSD e Chega tomaram-se de razões e acusaram-se de serem tarefeiros do PS. E o PS lá se procurou defender, depois de ter anunciado que viabilizaria o OE, acusando o Governo de opacidade e falta de transparência, acrescentando que não confiava no executivo, que não passará cheques em branco na especialidade a uma «governação» entre a «neblina e a opacidade», acusando o governo de falta de transparência. Ou seja, o que o PS quis dizer é que viabilizaria um OE, apesar de dizer não conhecer as reais intenções do Governo..
Tudo resumido, mais palavra menos palavra, mais discurso menos discurso, foi a deputada do PCP, Paula Santos, que «pôs o dedo na ferida», confirmando que, nesta proposta orçamental, o Governo «confirma a sua natureza e diz com todas as letras quem serve e que interesses defende». Acrescentando: «não são os interesses dos trabalhadores nem do povo, nem do País. Está aqui para continuar a beneficiar aqueles que têm ganho com a política de direita, aprofundando desigualdades, injustiças e discriminações».
Tarefeiros são, de facto, todos, PS, PSD, CDS, Chega e IL. Tarefeiros com tarefas distintas, é certo, neste quadro com um OE talhado como um fato à medida dos interesses dos grupos económicos. Tarefeiros, à vez, nessa política, na política de direita, desenhada para engrossar os seus lucros com os muitos milhões da riqueza nacional que extorquem aos trabalhadores, que a produzem.
É assim mesmo a natureza do capital monopolista, em que procura ter sempre disponíveis os tarefeiros de que precisa para tentar levar ainda mais longe a exploração.
Mas não ficará de mãos livres para fazer o que quiser. Sejam quais forem os tarefeiros que ponha ao seu serviço, contará, inevitavelmente, com a luta organizada dos trabalhadores e do povo para lhes fazer frente, numa acção incessante, pelos salários e pelos direitos, por um outro OE, por uma outra política.