A arma da fome
A organização Oxfam divulgou no Dia Mundial da Alimentação (quarta-feira da semana passada) o relatório Food Wars com dados sobre a fome em países em conflito, em que refere que as situações de conflitos e guerras são responsáveis pela quase totalidade dos 281,6 milhões de pessoas que hoje enfrentam fome aguda, no mundo, cifrando-se entre 7000 e 21 mil o número de pessoas que estão a morrer diariamente de fome nesses países.
Além disso, os conflitos têm sido uma das grandes causas da deslocação forçada de populações, que atingiu um nível recorde de mais de 117 milhões de pessoas no mundo, que, como se sabe, afecta, em primeiro lugar, as pessoas em situações mais frágeis, nomeadamente as pessoas com deficiência, os idosos e, em particular, as crianças.
As situações de conflito, na generalidade promovidas e desencadeadas pela ingerência e intervenção do imperialismo, não só são uma das causas de situações de fome, como o incremento da própria fome chega a ser usado como arma, através do deliberado impedimento do acesso a alimentos, água e energia, seja pelo ataque a infra-estruturas ou do bloqueio da ajuda alimentar, o que causa um aumento alarmante das mortes e do sofrimento humano.
É o que se está a passar na Faixa de Gaza, onde 83% da ajuda alimentar necessária não chega à população palestiniana devido ao bloqueio imposto por Israel, onde centenas de milhares de pessoas, se nada se fizer, poderão enfrentar fome a «um nível catastrófico» este inverno, como denunciou a semana passada a ONU.
De facto, Israel promove uma política criminosa, transformando a fome em arma de guerra, com aproximadamente um milhão oitocentos e quarenta mil dos habitantes da Faixa de Gaza a sofrerem elevados níveis de insegurança alimentar, correspondentes, segundo a ONU, ao nível 3 ou mesmo superior numa escala de 1 a 5 (em que 3 corresponde a situação de crise, 4, de emergência e 5, de desastre).
Entre as pessoas com insegurança alimentar contam-se 345 mil (cerca de 16% da população) que poderão mesmo enfrentar uma «situação catastrófica».
Uma situação verdadeiramente chocante que nos coloca perante a urgência da intensificação da luta por uma Palestina livre e pela paz no Médio Oriente, para que a desumana situação que estes números denunciam não se torne realidade!