Até o MNE israelita o documenta

Filipe Diniz

Para os sionistas e seus cúmplices, quem os condene e combata é “anti-semita” e “terrorista”. A acção genocida de Israel – que ameaça incendiar o mundo – é, dizem eles, retribuição pelo terrorismo de Hamas, Hezbollah e Irão. Mas é nem mais nem menos o próprio sítio web do Ministério Israelita dos Negócios Estrangeiros quem ilustra o valor de tal argumento (v. em https://sonar21.com/exploding-myths-of-middle-east-terrorism/).

Aí são listados todos os ataques suspeitos de origem palestiniana entre 2000 e Abril de 2024. Inventaria 672 ataques terroristas que atribui a palestinianos. Destes, 105 são atribuídos ao Hamas, 58 à Jihad Islâmica, 5 ao Hezbollah. Ou seja, apenas 25% dos ataques são apontados a um grupo palestiniano especifico. Os responsáveis pelos restantes 75% não são identificados. O total de mortos em resultado de violência palestiniana nesse período de mais de 23 anos é de 1.455. Cinco vezes mais palestinianos (7.065) foram mortos por Israel durante o mesmo período. Os números não são de fiar, mas são do seu MNE.

A brutal e indiscriminada violência do massacre actual exponencia esta realidade. À barbárie da conduta corresponde a barbárie do discurso. Para além da grotesca invocação do texto bíblico, há no racismo, no apartheid, na recusa do próprio direito do povo palestiniano a existir – esmagado pelo “direito de um povo eleito” – indesmentíveis traços comuns ao fascismo hitleriano provenientes de Nietzsche. Do direito a matar e a destruir assente na concepção de uma sociedade de “senhores” e de “escravos”, de “super-homens” e de “sub-humanos”. Se o sionismo massacra e tortura a eito, é porque há muito os seus principais responsáveis vêem o mundo dessa forma.

A solidariedade para com o povo palestiniano, para com todos os povos martirizados pela agressão sionista, é hoje a causa de toda a humanidade minimamente decente. Tal como há um século o era a causa mundial do antifascismo.

 



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