Censura, hipocrisia e terror
Nestes dias, o Governo dos USA, através do Departamento de Estado, com declarações do próprio Antony Blinken, decidiu impor sanções a um conjunto de média russos, Novosti, RT, Sputnik e outros, a jornalistas e “executivos mediáticos” da Federação Russa, erradicando-os do espaço comunicacional dos USA, logo seguidos pelos aliados de maior índice de vassalagem, num cenário de censura e ameaça global, que se estende às “redes sociais desafectas”, por iniciativa dos USA ou das suas “tecnológicas”.
Das “razões” da censura emergem as assumidas por um tal J. Rubin em nome do Departamento de Estado: que estes media «articulam» com operações, interesses e campanhas russas, são “máquinas de propaganda e desinformação” que expõem e contradizem as posições dos USA, «impedem» que o apoio à Ucrânia seja tão alargado como «seria de esperar», isto é, porque o conteúdo das suas notícias e comentários não serve os interesses e objectivos do imperialismo. É a lógica do “pensamento único”, só há “liberdade de expressão” nos casos em que os media façam a “guerra psicológica” e “híbrida”, a espionagem decidida pelos USA/NATO para o “teatro de guerra”.
Esta falta de vergonha e arrogância imperialista só pede meças à hipocrisia de ocultar que, quando se iniciou a intervenção russa na guerra civil da Ucrânia, uma primeira medida USA/NATO/UE foi instituir a censura e a perseguição destes média russos em todos os países em que o puderam fazer. Qual é então a novidade das sanções? Será que as eleições USA, o pânico da derrota possível na Ucrânia e o desvario duma guerra total implodiram os resquícios de faz de conta “democrático”?
Mas a natureza e amplitude da censura, pensamento único, sanções e terror estratégico imperialista vai mais longe. Tem expressão crescente no ataque brutal à informação e “redes sociais” da China, de países progressistas e soberanos, dos que lutam pela paz, acusados de todos os crimes anti-USA. E em Israel assume a sua verdadeira natureza e carácter terrorista, com a acção militar, roubo e encerramento da televisão Al Jazeera, do Catar, que operava na Palestina, na continuidade do que tinham feito em Maio com a destruição das suas instalações em Gaza. É impossível explicitar melhor a “liberdade de informação” do imperialismo.