Centrais sindicais argentinas reconstroem unidade na luta
A Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e a CTA Autónoma anunciaram em Buenos Aires que estão a trabalhar num processo de reunificação das duas organizações sindicais. A iniciativa surge 14 anos após a divisão do movimento sindical argentino e no meio de uma forte ofensiva do governo de extrema-direita contra os trabalhadores e seus direitos laborais e sociais.
O secretário-geral da CTA Autónoma, Hugo Godoy, confirmou que, nos últimos meses, as duas centrais sindicais convocaram e participaram em manifestações conjuntas contra as políticas neoliberais do presidente Javier Milei e que, agora, estão a aprofundar os laços existentes, num processo de «coordenação para a unidade de planos de acção».
Por sua parte, o dirigente da CTA, Hugo Yasky, destacou a necessidade de consolidar um «núcleo dentro do sindicalismo que esteja nas ruas e não abandone ninguém», capaz de fazer frente às medidas antipopulares do governo. «Não há outra possibilidade a não ser lutar, em todos os planos que pudermos. Estamos a ver a crueldade sistemática com que a política económica governamental elege como alvo os sectores populares – reformados, professores, universitários e outros trabalhadores», realçou.
Em meados deste mês, a polícia argentina arremeteu com gases, bastões, balas de borracha e camiões de água contra manifestantes que protestavam, nas cercanias do Congresso, contra a decisão da Câmara de Deputados de apoiar o veto presidencial a uma lei que possibilitava o aumento das pensões dos reformados. A repressão policial causou vários feridos, entre os quais uma mulher e uma criança de 10 anos.