A dança das cadeiras

João Frazão

Longe vão os tempos das exigências de transparência nas nomeações para cargos públicos e das críticas exacerbadas de determinados políticos e sectores insuspeitos, e obviamente independentes, ao abuso do aparelho do Estado para colocar os amigos.

Esquecidas estão as críticas de Hugo Soares, então vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, ao PS, por este fazer 154 nomeações em 41 dias, no início de 2016.

Ainda mais longe, já nos anais da história, estão as indignadas manifestações de horror e as acusações de saneamento político, por ter sido necessário afastar de lugares chave todos aqueles que se encontravam activa e empenhadamente na criação de dificuldades aos avanços revolucionários.

Hoje ninguém os vê a rasgar as vestes e a bradar “ao da guarda” perante o desfilar de decapitações em estruturas do Estado e de sucessivas nomeações de apaniguados que sejam mais ao gosto de quem manda agora.

Para lá das confusões das nomeações dos que, mesmo antes de tomar posse declinam ao cargo, não posso deixar de referir a nomeação de um deputado do PSD para Presidente da Companhia das Lezírias. uma das mais importantes estruturas agrícolas do Estado Português, que é acompanhado no Conselho de Administração por uma vereadora do PSD.

Tal como nos espantou que os defensores da moral republicana não tivessem vindo, quando o ex-Presidente da CAP (é desse que estamos a falar) ou o ex-bastonário da Ordem dos Médicos foram anunciados como candidados da coligação reaccionária, identificar as suas organizações como “braços armados” ou “correia de transmissão” dos partidos que a compuseram, estávamos agora à espera que os insuspeitíssimos “Think tanks” da transparência viessem clamar contra a promiscuidade e o compadrio que grassa ali para os lados dos eleitos do PSD/CDS.

Claro que, no fim, resta a pergunta, para que será necessário tanta renovação nas estruturas de direcção das estruturas públicas se PSD e CDS apenas almejam a levar por diante, talvez com outro ritmo, as mesmas opções da política de direita de sucessivos Governos anteriores?

 



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