Idadismo

Margarida Botelho

A propósito do Dia Internacional da Juventude, a Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou um estudo sobre idadismo. Para quem possa estar menos familiarizado com este ismo, refere-se à discriminação em função da idade.

Conclui o estudo que o idadismo afecta mais os jovens trabalhadores entre os 18 e os 35 anos em Portugal – 42,3% dos inquiridos «relataram níveis moderados ou elevados de discriminação em função da idade», no recrutamento, na promoção ou no despedimento. O estudo refere a existência de dois fenómenos de sentido contrário: o “jovenismo” e o “velhismo”, discriminações que afectam respectivamente os mais jovens e os mais velhos.

Estranha-se que o estudo, que durou três anos, não tenha abordado outros aspectos da vida dos jovens trabalhadores. O que pensam eles dos seus salários? Dos vínculos? Dos horários? Das condições de trabalho? Da liberdade de organização sindical? Das suas perspectivas de carreira? Da articulação com o resto da vida, pessoal e familiar? Do que acontece quando querem ser mães ou pais?

Talvez os dados que a CGTP-IN divulgou no Dia Nacional da Juventude, a 28 de Março, pudessem dar boas pistas sobre outros aspectos, também interessantes: 70% dos novos contratos de trabalho realizados no ano passado são precários. Ou o facto de os salários serem 40% mais baixos do que a média europeia.

David Patient, o académico belga responsável pelo estudo, em entrevista ao Público, diz a certa altura uma coisa muito curiosa: «para ser sincero, acho que este enfoque na questão geracional está a contribuir para a criação de mais esteriótipos e para a discriminação no local de trabalho.» É bem possível. Até porque se o patronato sabe bem que é preciso dividir para reinar, os trabalhadores também sabem que é a união que faz a força.

 



Mais artigos de: Opinião

Organização e luta, factores fundamentais!

São múltiplas as exigências a que o colectivo partidário está chamado a responder. Os problemas aí estão nas empresas e nos locais de trabalho, nos serviços públicos e em particular na Saúde e na Educação, no acesso à habitação, na exigência da Paz, entre muitos outros. As tarefas e...

Quem quer a guerra no Médio Oriente?

Se faltassem provocações para incendiar ainda mais o Médio Oriente, o bombardeamento no Domingo do complexo escolar Al Tabaeen em Gaza, quando se faziam as orações da manhã, e que matou cerca de 100 civis, é mais uma prova dos métodos e intenções do criminoso regime sionista e seus aliados. Quando o Mundo que deseja a...

A economia

O CESP (sindicato dos sectores do comércio, escritórios e serviços, filiado na CGTP-IN) entregou na Assembleia da República uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos reclamando o encerramento do comércio aos domingos e feriados e a redução do período de funcionamento até às 22h00. Na base desta exigência estão três...

Sem medidas e sem vergonha

Foi sem surpresa que Bernardino Soares, membro do Comité Central do PCP, constatou e denunciou a visita do primeiro-ministro acompanhado pelo Presidente da República ao Hospital de Santa Maria, na semana passada, esclarecendo que, por parte do Governo, não foi anunciada nenhuma medida para começar a resolver o problema...

A dança das cadeiras

Longe vão os tempos das exigências de transparência nas nomeações para cargos públicos e das críticas exacerbadas de determinados políticos e sectores insuspeitos, e obviamente independentes, ao abuso do aparelho do Estado para colocar os amigos. Esquecidas estão as críticas de Hugo Soares, então vice-presidente do...