Golpistas

Manuel Rodrigues

O pro­cesso bo­li­va­riano na Ve­ne­zuela, com as suas ver­tentes po­pular, pa­trió­tica e anti-im­pe­ri­a­lista, nunca foi to­le­rado pelo im­pe­ri­a­lismo e foi ob­jecto, ao longo de 25 anos, de uma cons­tante acção de ameaça, in­ge­rência, de­ses­ta­bi­li­zação, sa­bo­tagem, apli­cação de san­ções, blo­queios e golpes, por parte dos EUA, quase sempre acom­pa­nhados pela UE, com a cum­pli­ci­dade ou mesmo ac­tivo apoio com que têm con­tado em Por­tugal. É só lem­brar as po­si­ções de Au­gusto Santos Silva en­quanto Mi­nistro dos Ne­gó­cios Es­tran­geiros do Go­verno PS, o con­ge­la­mento de ac­tivos fi­nan­ceiros ve­ne­zu­e­lanos pelo Novo Banco no valor de mil e tre­zentos mi­lhões de euros, as de­cla­ra­ções e po­si­ções do Go­verno PSD/​CDS, para só re­ferir al­guns exem­plos.

Pois bem, em torno das elei­ções pre­si­den­ciais do do­mingo pas­sado, foi pre­pa­rada nova e gi­gan­tesca ope­ração de ma­ni­pu­lação, pro­pa­ganda e in­ge­rência que, em sín­tese, se pode re­sumir a duas li­nhas es­sen­ciais:

1) A Ve­ne­zuela é go­ver­nada por uma “di­ta­dura”, por isso, quer a mu­dança, que, desta vez, vai mesmo acon­tecer;

2) Se os re­sul­tados elei­to­rais não con­fir­marem este va­ti­cínio, então, é porque houve fraude.

Ora, Ni­colás Ma­duro foi re­e­leito para um ter­ceiro man­dato con­se­cu­tivo, tendo ob­tido 51,20 por cento dos votos, quando con­tadas 80% das mesas elei­to­rais e ve­ri­fi­cado que tal ten­dência não era re­ver­sível, como anun­ciou o Con­selho Na­ci­onal Elei­toral (CNE) da Ve­ne­zuela.

Para a opo­sição gol­pista, cujo can­di­dato – Ed­mundo Gon­zález – teve 44,2 por cento dos votos quando con­tadas 80% das mesas elei­to­rais, houve fraude, omi­tindo que mais de 630 ob­ser­va­dores in­ter­na­ci­o­nais, de 110 na­ci­o­na­li­dades, se des­lo­caram à Ve­ne­zuela para acom­pa­nhar as elei­ções, muitas delas re­pre­sen­tando or­ga­nismos como a União Afri­cana, o Painel de Pe­ritos da ONU, o Centro Carter, o Con­selho de Es­pe­ci­a­listas Elei­to­rais da Amé­rica La­tina (CEELA). Omi­tindo também que, para ga­rantir e fa­ci­litar uma ampla co­ber­tura do acto elei­toral, foram acre­di­tados 1.326 jor­na­listas na­ci­o­nais e in­ter­na­ci­o­nais (nú­mero que in­clui 164 en­vi­ados es­pe­ciais de agên­cias como AP, AFP, EFE, Blo­om­berg e Reu­ters).

Como es­tava pla­neado e pre­visto no guião do golpe, caso não ga­nhasse as elei­ções, Ed­mundo Gon­zález, acom­pa­nhado por María Co­rina Ma­chado, não re­co­nheceu os re­sul­tados.

Ou seja, para o im­pe­ri­a­lismo e os seus la­caios, os re­sul­tados elei­to­rais só con­ta­riam se con­fir­massem o golpe que andam há meses a pre­parar, com os ob­jec­tivos que per­se­guem há 25 anos: der­rotar a re­vo­lução bo­li­va­riana e voltar à ra­pina das ri­quezas da Ve­ne­zuela, como se do seu quintal se tra­tasse, como acon­teceu ao longo de anos e anos.

São mesmo gol­pistas… mas, mais uma vez, foram der­ro­tados.



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