Frente Comum exige aumentos intercalares na Administração Pública
Aumento imediato de todos os salários, fim da precariedade, valorização das carreiras e reforço dos serviços públicos – foram estas as principais exigências que resultaram do plenário de sindicatos realizado no dia 2 pela Frente Comum, em frente à residência oficial do Primeiro-ministro, em Lisboa.
Governo recusa falar sobre aumentos salariais até Janeiro de 2025
«Os problemas com que se confrontam os trabalhadores da Administração Pública e os Serviços Públicos continuam a agudizar-se», lê-se na resolução aprovada no plenário de sindicatos, no qual é igualmente criticado o rumo de desvalorização do trabalho e da capacidade de respostas públicas e universais às necessidades da população gerado por duas décadas de perda de poder de compra, de degradação das carreiras profissionais dos trabalhadores do sector e de desinvestimento nos serviços públicos e funções sociais do Estado.
Perante este cenário de desvalorização de quem trabalha e, em particular, dos trabalhadores da Administração Pública, a Frente Comum acusa o Governo de optar pelo «silêncio» e pela rejeição em encetar um processo negocial. Assim, no plenário em que estiveram presentes diferentes estruturas sindicais do sector, os trabalhadores assumiram como exigência imediata a calendarização de negociações que permitam o aumento intercalar de salários para inverter o rumo de perda de poder de compra e valorizar o trabalho; medidas que contribuam para o reforço dos serviços públicos; a valorização das carreiras e profissões; e o fim da precariedade na Administração Pública, assegurando que a cada posto de trabalho efectivo corresponda um vínculo de trabalho permanente.
Os trabalhadores resolveram ainda empregar todas as formas de luta que entendam necessárias e adequadas à prossecução destes objectivos.
Combater políticas que prejudicam o trabalho
«Não estamos aqui hoje porque gostamos de aqui estar», salientou Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, já no final da concentração. «Estamos aqui porque o aumento do custo de vida continua a ser uma realidade na vida de todos nós. Acenam-nos com uma estabilização da inflação, mas esquecem-se de dizer que isso não significa que os preços estão a baixar», acrescentou.
«Para combater este aumento de preços com que lidamos todos os dias, na energia, alimentação e habitação», continuou, «só temos um único instrumento que é o nosso salário. É por isso que a Frente Comum exige um aumento intercalar dos salários e não abandonamos essa reivindicação até que seja concretizada».
«Responsabilizar o Governo é essencial neste momento», salientou. «Não se trata de haver ou não dinheiro para aumentar salários, porque é evidente que há. É evidente que existem privilegiados e é claro quem eles são: os grandes grupos económicos e os grandes grupos do patronato que continuam a acumular vantagens e benefícios», criticou.
«É preciso mesmo dar combate a estas políticas, valorizar os serviços públicos, as carreiras e profissões e investir os recursos porque eles existem», afirmou o dirigente sindical, referindo-se aos mais de 19 mil milhões de euros que o actual Orçamento do Estado entrega «às mãos dos privados na aquisição de serviços».
Solidariedade do PCP
A presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Paula Santos, marcou presença na concentração dos trabalhadores da Administração Pública, numa expressão de solidariedade com as suas reivindicações (às quais o PCP tem dado voz, ao longo dos anos). A dirigente comunista reafirmou, na ocasião, o compromisso dos comunistas com a defesa e reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, designadamente através da dignificação e valorização dos salários e carreiras destes trabalhadores.