Programa de Estabilidade espelha subordinação
O Parlamento chumbou o projecto de resolução do PCP que pugnava pela rejeição do Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo. Votaram contra PSD, Chega, IL e CDS, abstiveram-se PS e PAN, acompanhando o PCP no voto favorável BE e Livre.
O deputado comunista Alfredo Maia foi directo nas razões invocadas pela sua bancada para suportar o pedido de rejeição do documento: é «inútil», «vazio de medidas concretas para o País», revela «subordinação aos ditames da União Europeia e aos interesses e objectivos de que as suas instituições são mandatárias», significa a «captura da soberania nacional em matéria de políticas económica, financeira e mesmo social».
Em suma, para o PCP, não obstante ser um documento «vazio de conteúdo político relevante», como é dito no texto do projecto de resolução, o Programa de Estabilidade «não deixa de ser um instrumento usado pelo Governo para justificar a implementação do projecto político da direita ao serviço do grande capital».
Alfredo Maia foi por isso claro ao afirmar que o PCP «não tem ilusões quanto aos propósitos do Governo e do seu real programa de instabilidade, de limitar ainda mais o crescimento dos salários e das pensões e reformas», agravar a «desregulação dos horários de trabalho e das relações de trabalho».