25 de Abril, sempre!
António de Spínola, conhecido Marechal das Forças Armadas, teve as mais altas responsabilidades políticas a seguir ao 25 de Abril: Foi Presidente da Junta de Salvação Nacional e Presidente da República, em 1974.
Nestes altos cargos e no exercício das suas funções usou sempre os seus poderes para tentar travar e liquidar o processo revolucionário de Abril e inverter o sentido da Revolução, ou seja, abrir caminho à reacção.
No seu afã conspirativo, tentou impedir que a PIDE/DGS fosse extinta, opôs-se à descolonização e independência das antigas colónias, procurou impedir que todos os presos políticos fossem libertados, entre os seus muitos «feitos» de má memória.
António de Spínola, agiu, intrigou e conspirou contra a Revolução e foi apoiante e organizador das tentativas de golpe Palma Carlos (Julho de 1974) e 28 de Setembro («maioria silenciosa»).
Derrotados os golpes, afastado dos cargos, passou, então, à conspiração por outros meios, nomeadamente pelo terrorismo bombista. Foi o principal responsável pela nova tentativa de golpe do 11 de Março e figura entre os principais fundadores do MDLP, responsável por um grande número de atentados terroristas contra o PCP e outras forças democráticas.
Pois bem, este homem que passou o tempo a conspirar contra Abril, soube-se agora, foi condecorado pelo PR com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
E, não fora isto já de si suficientemente reaccionário, houve ainda quem quisesse ir mais longe, achando muito bem a condecoração a Spínola, mas que o PR errou ao não assumir à luz do dia aquilo que considera ser uma decisão inteiramente justificada.
Foi o caso de João Miguel Tavares, no Público de 11 de Abril, que achando merecida a condecoração, denuncia o facto de o PR o ter feito «às escondidas»: «Isso não é nada. Condecorações clandestinas de militares de Abril? Gente que ajudou a acabar com a PIDE homenageada em segredo porque o Presidente da República tem medo dos novos polícias do pensamento?»
«É uma desonra disfarçada de honra», vocifera JMT, indignado.
Porque se assume do lado da reacção, JMT não consegue enxergar que a verdadeira desonra é a dos que invocam Abril a pensar num novo ciclo da nossa vida política expurgado das marcas, conquistas e experiências da Revolução.
Esta sim, é a desonra disfarçada de honra que o 25 de Abril não merecia. E que é preciso «limpar», afirmando, com redobrada força, os seus valores.