Pão e vinho e, já agora, azeite

João Frazão

Como é possível compreender que, produzindo-se azeite, como nunca, em Portugal, produção que continuará a crescer nos próximos anos, uma vez que continua a plantação de olivais e há milhares de hectares que entrarão agora em safra plena, os preços sejam cada vez mais elevados, havendo cada vez mais famílias com dificuldades em o adquirir?

Para lá do que esta situação revela dos impactos da globalização capitalista (que nos prometia tudo em abundância e mais barato) e da desregulação dos mercados e das produções, ela sinaliza os riscos com que Portugal está confrontado, para os quais nunca deixámos de alertar.

De facto, em função da total ausência de planeamento, os milhares de milhões de euros investidos nas infra-estruturas hidroagrícolas no Alentejo, estão hoje ao serviço, não da resposta às necessidades de alimentação do nosso povo, mas dos lucros de uns poucos, em larga medida estrangeiros.

E é essa mesma falta de planeamento que leva a que se aprofunde a nossa dependência na produção de cereais, independentemente de não ser possível a autosuficiência, com tantas das melhores terras para esse fim ocupadas com outras culturas que dão mais lucros no imediato, com a caricata situação de que, a cada plano governamental que é anunciado, se seguem, invariavelmente novos anúncios de mais profundas quebras na produção.

Planeamento cuja inexistência está ainda na origem dos milhões de hectolitros de vinho que os produtores nacionais não conseguem escoar, uma vez que a UE decidiu liberalizar o plantio da vinha, permitindo o aumento da área em cada país em 1% ao ano. Parece pouco mas, por cada ano em que Itália ou França ou Espanha decidam autorizar esse alargamento, significa introduzir na UE a produção equivalente a qualquer uma das regiões demarcadas do nosso País.

Ao longo da história dizia-se que os poderosos aplacavam a ira popular distribuindo pão e garantindo circo.

Neste caso, pede-se apenas que os governos garantam a todos as condições para continuar a produzir pão e vinho. E, já agora, azeite a preços que se consiga comprar!

 



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