Garantida luta forte pela Saúde e por Abril
«Comemorar o Dia Mundial da Saúde é indissociável de comemorar o Serviço Nacional de Saúde», realçou o coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, no dia 5, em Lisboa.
É preciso atacar os reais motivos da degradação do SNS
Sebastião Santana interveio na concentração realizada, ao final da manhã de sexta-feira, junto ao Ministério da Saúde. Em faixas, cartazes, palavras de ordem e em três grandes letras recortadas, tendo por fundo rostos de trabalhadores do SNS, foi traduzida a designação escolhida para esta acção: «Defender o SNS, cumprir Abril».
Uma cimeira de sindicatos da Frente Comum está agendada para dia 19, adiantou o dirigente, prevenindo, desde já, que «podem contar com a luta dos trabalhadores da Administração Pública, e com uma luta forte», se o Programa de Governo que hoje e amanhã está na AR «não satisfizer as nossas reivindicações, nem apontar um caminho de valorização dos trabalhadores e dos serviços públicos».
O SNS, recordou Sebastião Santana, foi «criado com a luta de muitos homens e mulheres, impulsionados pela Revolução de Abril», «levou a um significativo aumento da esperança média de vida, distinguiu o País na redução da mortalidade infantil e materna, permitiu avanços na vacinação». Sendo «um dos pilares da nossa democracia», é o SNS que «garante que todos têm acesso a cuidados de saúde de forma geral, universal e tendencialmente gratuita, independentemente da sua condição económica ou social, da idade, da raça ou etnia».
«A degradação do SNS não começou ontem e não se vai resolver com as medidas que estão anunciadas», porque existem «motivos de muita preocupação» no Programa Eleitoral da AD.
Como «causas indesmentíveis da degradação do SNS, cuja responsabilidade recai única e exclusivamente sobre os sucessivos governos do PS, do PSD com ou sem CDS», o coordenador da Frente Comum assinalou que cerca de 50 por cento do Orçamento da Saúde vai para privados, há desvalorização das carreiras e falta de profissionais em todas as áreas, faltam recursos materiais e tecnológicos, degradam-se instalações e equipamentos, persistem as gravosas parcerias público-privadas.
«Temos propostas e soluções, que estão inscritas na Proposta Reivindicativa Comum», cuja negociação deverá ser encetada pelo Governo. Persistir na recusa desta negociação, como fizeram os governos anteriores, será mais um motivo para a luta dos trabalhadores. Para aplicar essas propostas, há dinheiro no OE em vigor, frisou Sebastião Santana, exemplificando com os 19 mil milhões de euros previstos para aquisição de serviços.
PCP contra desmantelamento
Presente na concentração, com uma delegação do Partido, o Secretário-Geral do PCP alertou para o facto de se observar um caminho de desmantelamento do SNS, na vontade declarada do PSD, do CDS, do Iniciativa Liberal e do Chega, no decurso daquilo que foram as opções erradas do PS.
Paulo Raimundo reiterou a necessidade de uma mudança que salvaguarde o SNS, resolva as dificuldades de acesso à Saúde, contrarie a escassez de médicos, enfermeiros e outros profissionais e assegure a sua valorização.