Apesar da comunicação social

Vasco Cardoso

As eleições são no domingo e até lá ainda haverá muito voto a conquistar para a CDU. Este último esforço não terá pouca importância. Muitos ainda podem decidir dar o passo, sobretudo se forem tocados pela nossa acção de esclarecimento, pelos candidatos, pelos activistas da CDU e as organizações do Partido. O nosso resultado, em larga medida, decide-se cada vez mais aí. Se estivéssemos limitados à cobertura mediática, estaríamos certamente condenados a ver confirmados todos os vaticínios que lançaram nestes últimos meses. Não é isso que irá acontecer.

Dito isto, é fundamental ter presente o quadro mediático em que estas eleições têm lugar. E importa dizê-lo agora, e não depois, para que tal não soe como uma espécie de desculpa. Importa dizer que enfrentamos há anos uma acção anticomunista permanente, deliberada e cada vez mais intensa. Se temos chamado a atenção para a tentativa de imposição de um pensamento único, estas eleições confirmam esse perigo.

Dentro do pensamento único, os que, como a CDU, defendem os direitos dos trabalhadores contra os interesses do grande capital, não têm lugar. Os que questionam a União Europeia, a submissão ao euro, as injustiças ou as ditas «contas certas», são irresponsáveis. Os que se posicionam contra a corrida aos armamentos, pela paz, por uma negociação e solução política dos conflitos, são alvo a abater.

Sobre vagas sucessivas de anticomunismo somou-se uma cobertura mediática, na maioria dos casos, miserável. O apoucamento, a caricatura, a descredibilização das propostas, a desvalorização da mobilização de massas, a desonestidade em torno das questões internacionais. As sondagens sempre em perda. Os debates em que para além do adversário se enfrentou também o jornalista. O apagamento da juventude nas acções de campanha. As horas a fio de comentário político, onde – já se sabe – comunista não entra, ao contrário do anticomunismo com diversos e bem remunerados porta-vozes. Tudo isto, em flagrante contraste com outros, incluindo as forças mais reaccionárias que, mesmo quando criticadas, são promovidas.

Resistir a esta operação é já uma vitória. Sejam quais forem os resultados, estas eleições também foram uma sementeira, para colher em Abril, em Maio, mas também em Junho, nas eleições para o Parlamento Europeu.




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