Solidariedade africana com Palestina e Cuba

Carlos Lopes Pereira

Os países africanos reafirmaram a sua solidariedade com a Palestina ocupada, vítima de uma bárbara agressão israelita, e com Cuba, que enfrenta há décadas um brutal bloqueio imposto pelos EUA.

No final da 37.ª cimeira da União Africana (UA), que decorreu neste fim de semana, em Adis-Abeba, os Estados membros da organização asseguraram o seu compromisso «inquebrantável, permanente e total com o povo palestiniano na sua luta legítima contra a ocupação israelita e pela restauração dos seus direitos inalienáveis», incluindo o direito à autodeterminação, ao retorno dos refugiados e à criação de um Estado palestiniano independente e soberano nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital. Uma declaração destaca também a necessidade de pôr fim à ocupação israelita, que mina os fundamentos da ordem jurídica internacional. Os países africanos renovaram o apelo ao fim da agressão israelita contra Gaza e expressaram profunda consternação pela catástrofe humanitária e sanitária nesse território – onde a guerra genocida levada a cabo por Telavive já provocou mais de 100 mil vítimas, entre mortos, feridos e desaparecidos.

Na mesma linha, a cimeira da UA pediu a eliminação de Cuba da lista de países que alegadamente patrocinam o terrorismo, lista elaborada de forma unilateral pelos EUA. A organização pan-africana condenou, pelo décimo quinto ano consecutivo, o ilegal bloqueio económico, comercial e financeiro perpetrado por Washington contra Havana desde há mais de seis décadas. Os países africanos reafirmaram o seu apoio à resolução que a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova todos os anos sobre o bloqueio a Cuba e deploraram as medidas implementadas pelos EUA em finais de 2017, reforçando essa medida unilateral e ampliando o seu carácter extraterritorial.

Apesar desta cimeira na capital etíope ter por tema «Educar para o século XXI: construir sistemas educativos resilientes para aumentar o acesso a uma aprendizagem inclusiva, de qualidade e pertinente em África», e não obstante a ordem de trabalhos incluir questões como a reforma da UA ou a integração económica, as guerras e os conflitos no continente dominaram os debates à porta fechada dos dirigentes africanos.

Do Sahara Ocidental em luta contra a ocupação colonial marroquina à Líbia destruída, à Somália dividida e às tensões no Corno de África; da insegurança em diversos países do Sahel à guerra no Sudão com os seus milhares de mortos e milhões de deslocados e refugiados; da instabilidade permanente na República Centro-Africana às crescentes ameaças de um confronto militar em larga escala entre a República Democrática do Congo e o Ruanda – tudo isso preocupa a UA, que está ainda longe de conseguir atingir o seu objectivo declarado de «silenciar as armas» em África.

Mas nem tudo são más notícias: na África Ocidental, Mali, Burkina Faso e Níger, governados por militares, expulsaram as tropas francesas dos seus territórios, criaram a Aliança dos Estados do Sahel e anunciaram a retirada da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), acusada de estar a soldo de Paris. Estudam agora a forma de se libertar da dependência neocolonial francesa – substituindo, logo que possível, o Franco CFA por moedas nacionais – e assim reforçar a soberania dos seus países.

 



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