Tropas israelitas prosseguem carnificina na Palestina ocupada
Ao arrepio das pertinentes resoluções das Nações Unidas e da decisão do Tribunal Internacional de Justiça, o Estado israelita continua os ataques militares indiscriminados à população palestiniana no Sul da Faixa de Gaza, e os assassinatos, as detenções e outros crimes na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Agressão israelita à Palestina provocou mais de 28 mil mortos e 68 mil feridos
Lusa
Apesar dos apelos ao cessar-fogo chegados de diversas partes do mundo, as forças de Telavive prosseguiam, na terça-feira, 13, os bombardeamentos à população palestiniana na Faixa de Gaza. Registaram-se ataques em especial em torno da cidade de Khan Yunis, epicentro de amplo e novo ataque israelita que ameaça estender-se para sul, à cidade de Rafah, na fronteira com o Egipto, que, a efectivar-se, poderá agravar ainda mais o já imenso horror lançado sobre a população palestiniana.
Há informações de mais mortos e feridos provocados pelas bombas israelitas nos campos de refugiados de Nuseirat e de Al-Maghazi, no centro do território, e no bairro de Al-Brazil, em Rafah. Esta cidade tem hoje cerca de um milhão e meio de pessoas, seis vezes mais do que em Outubro – a maioria refugiada de outras zonas da Faixa de Gaza, que no total tem uma população de 2,3 milhões de habitantes.
Na segunda-feira, 12, um ataque das tropas israelitas, em Rafah, provocou a morte de mais de uma centena de pessoas. A artilharia e a aviação israelitas bombardearam também as áreas oriental e ocidental de Khan Yunis. A agência Wafa informou que, nessa cidade, em resultado dos ataques israelitas, o fornecimento de energia eléctrica foi completamente cortado ao Complexo Médico Nasser, cercado há três semanas e alvo de bombardeamentos e de disparos de franco-atiradores israelitas.
Segundo um correspondente da televisão Al Jazeera, do Catar, os bombardeamentos na zona central daquele território palestiniano não deixam nenhuma opção às pessoas que fogem em busca de segurança. «As pessoas estão amontoadas em pequenos espaços da Faixa de Gaza, convertidos em grande parte em campos de refugiados».
Mais de 28 mil mortos e de 68 mil feridos
Funcionários das Nações Unidas qualificaram como «aterradora» a possível incursão militar em Rafah, onde estão confinados mais de um milhão e meio de palestinianos, instando Israel a respeitar as contínuas advertências das Nações Unidas contra acções que violam as leis da guerra. «Uma operação deste tipo em Rafah, tal como estão as circunstâncias, corre o risco de cometer mais crimes atrozes», advertiram.
Instaram também o Estado israelita a cumprir a decisão juridicamente vinculantes emitidas pelo Tribunal de Haia e com todo o alcance do direito internacional humanitário. «Dada a matança provocada até agora em Gaza, pode-se imaginar o que nos espera em Rafah», alertaram.
De acordo com dados das autoridades palestinianas, a agressão israelita provocou, mais de 28 mil mortos e de 68 mil feridos, a maioria crianças e mulheres, não contando com os milhares de desaparecidos, soterrados sob os escombros da Faixa de Gaza em grande parte destruída.
A esta carnificina acrescem as consequências do bloqueio imposto por Israel, impedindo a entrada suficiente de ajuda humanitária – água, alimentos, medicamentos e material médico, combustível, abrigos – e agravando as catastróficas condições sanitárias de centenas de milhares de deslocados palestinianos em todo o território.
Sete mil palestinianos presos na Cisjordânia
Na Cisjordânia, quase sete mil palestinianos foram presos pelas forças israelitas desde começos de Outubro. Em Ramala, a Associação de Prisioneiros Palestinianos e a Comissão de Prisioneiros e Ex-prisioneiros destacaram, em comunicado, que em pouco mais de quatro meses foram encarcerados 6950 palestinianos da Margem Ocidental.
As duas organizações condenaram a sistemática campanha de detenções no território, intensificada por Israel nesse período. Além disso, denunciaram o aumento de ataques e destruição de habitações de famílias palestinianas por parte de forças israelitas. Revelaram ainda o incremento dos crimes das forças ocupantes contra os presos palestinianos: «Entre os delitos mais destacados estão a tortura, maus-tratos, agressões físicas severas, simulação de disparos, interrogatórios, ameaças de violação, assim como o uso de cães-polícias e a utilização de cidadãos com escudos humanos».
Dados oficiais indicam que, no final de 2023, cerca de 8800 palestinianos, incluindo menores de idade, estavam detidos nas masmorras israelitas.
Ministra sul-africana denuncia ameaças da polícia israelita
A ministra dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Naledi Pandor, denunciou ameaças feitas a si e à família por agentes da polícia israelita, depois das autoridades de Pretória terem apresentado junto do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) uma queixa contra Israel por genocídio do povo palestiniano na Faixa de Gaza.
«O que mais me preocupa é a minha família, já que algumas mensagens nas redes sociais mencionavam os meus filhos», afirmou a ministra aos jornalistas, revelando que tinha solicitado à polícia sul-africana o reforço da sua segurança. «Assim como os agentes israelitas e os serviços de inteligência actuam e procuram intimidar, assim nós não devemos deixar-nos intimidar. Há uma causa que está em marcha», enfatizou a diplomata sul-africana, referindo-se à queixa que está a ser apreciada pelo TIJ. E insistiu que, com o apoio do povo sul-africano, o processo judicial será levado avante.
Em 29 de Dezembro de 2023, a África do Sul denunciou Israel perante o TIJ, com sede em Haia, acusando Israel de genocídio contra os palestinianos da Faixa de Gaza. Pretória considera que as forças militares israelitas violam a Convenção para a Prevenção e a Sanção do Delito de Genocídio e pede ao TIJ que adopte medidas provisórias para que cessem as hostilidades.
Depois de ouvir as alegações das duas partes, o Tribunal de Haia adoptou a 26 de Janeiro uma primeira deliberação, determinando que a denúncia sul-africana de genocídio é plausível, e ordenou a Telavive que «tome todas as medidas» possíveis para «prevenir» um genocídio na Faixa de Gaza. O julgamento em Haia prossegue.