Na OGMA a riqueza não vai para onde devia
Numa acção da CDU esta terça-feira, à tarde, junto do portão principal da centenária empresa aeronáutica de Alverca, Paulo Raimundo sublinhou a premência de assegurar aos trabalhadores melhores salários.
Aumentar os salários é uma medida essencial
O Secretário-Geral do PCP e primeiro candidato da CDU no círculo eleitoral de Lisboa juntou-se, pouco antes das 14 horas, ao grupo de militantes e activistas que, com bandeiras, folhetos e sorrisos, aguardava a passagem dos trabalhadores da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, durante a mudança de turnos.
Entre outros, ali estiveram também os candidatos Ricardo Costa (da Comissão Política do Comité Central do PCP, que trabalhou nesta empresa), António Filipe (do Comité Central), Cláudia Martins (da Comissão Concelhia de Vila Franca de Xira e da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP), Mariana Silva (do Conselho Nacional e da Comissão Executiva do Partido Ecologista «Os Verdes» e Heloísa Apolónia (que também integra aqueles organismos dirigentes do PEV e é candidata da CDU em Setúbal).
«Voltamos à mesma questão de fundo: é preciso valorizar as carreiras e as profissões, é preciso aumentar salários, de forma significativa, e precisamente os salários, não prémios ou outras coisas do tipo», comentou Paulo Raimundo, dirigindo-se aos jornalistas que acompanharam a iniciativa. Essa medida «é essencial para manter as fábricas a funcionar e para aumentar a capacidade produtiva nacional».
Ora, hoje, a OGMA é «uma empresa com mais de cem anos, com operários altamente qualificados, capazes de fazer um trabalho exemplar, que é reconhecido por esse mundo fora». Só que «vêm buscá-los aqui, para trabalharem na Bélgica, na Holanda, na Alemanha e noutros países».
Paulo Raimundo assinalou, indicando o exemplo da OGMA, que «há forças, há conhecimento, há saber, há capacidade de produzir e de criar riqueza». Mas esta riqueza «não está a ir parar aos bolsos de quem a cria, aos trabalhadores». Admitiu que o problema «não é fácil de resolver» e insistiu que «é preciso que os trabalhadores ganhem força, que persistam na exigência do aumento dos salários e que o PCP e a CDU ganhem força, para serem um instrumento político ao serviço dessa justa reivindicação».
O tema foi de novo abordado, em resposta a uma questão sobre os mais recentes dados da evolução da economia nacional. «Não desvalorizamos essa subida de 2,3 por cento». disse Paulo Raimundo, questionando, de seguida, «para onde está a ir» a riqueza, uma vez que, como exemplificou, não está a servir para resolver problemas nos serviços públicos, para fixar médicos no SNS, para tratar da habitação, para aumentar salários a quem produz? «Mas talvez esteja a ir para os tais dos 25 milhões de euros de lucros por dia», alertou, lembrando o que arrecadaram em média os principais grupos económicos.