Vá para Tordesilhas cá dentro

João Frazão

En­quanto, no es­paço pú­blico e me­diá­tico, PS e PSD se di­gla­diam como se fossem os mais fe­rozes ini­migos, en­quanto uti­lizam todos os pre­textos para pa­re­cerem muito di­fe­rentes uns dos ou­tros, en­quanto dizem que a se­guir a 10 de Março é que vai ser, que vão fazer o con­trário do que o outro diz, que por acaso é o con­trário do que fez, en­quanto, para in­glês ver, se acusam mu­tu­a­mente de apro­vei­ta­mento do apa­relho de Es­tado, têm sempre ac­ti­vado o modo de dis­tri­buição de lu­gares à mesa do Or­ça­mento, desta vez a pro­pó­sito da con­cen­tração de ser­viços de vá­rios mi­nis­té­rios nas Co­mis­sões de Co­or­de­nação do De­sen­vol­vi­mento Re­gi­onal.

De­pois de de­sar­ti­cu­larem e des­man­te­larem ser­viços de pro­xi­mi­dade, de­sig­na­da­mente dos mi­nis­té­rios da Cul­tura e da Agri­cul­tura, cri­ando a con­fusão entre aqueles que pre­cisam dos ser­viços e mesmo entre os seus tra­ba­lha­dores, estão agora a ins­talar novas uni­dades or­gâ­nicas e, com elas, a dis­tri­buir lu­gares de chefia.

De­fen­sores in­tré­pidos da des­cen­tra­li­zação, vão so­prando, à boca pe­quena, como fi­zeram com voz grossa quando su­jei­taram a Re­gi­o­na­li­zação a re­fe­rendo, que isso é só para ar­ranjar mais uns lu­gares para al­guns.

Mas olha-se para o cur­rí­culo dos no­me­ados para essas novas es­tru­turas e logo se per­ce­berá como as pre­bendas são dis­tri­buídas entre a malta do bloco cen­tral de in­te­resses.

É pre­ciso um vice-pre­si­dente? Está aqui um ex-as­sessor de um qual­quer go­ver­nante do PS. Faz falta um di­rector-geral? Sai um ex-chefe de ga­bi­nete de um Se­cre­tário de Es­tado do PSD.

Se ti­verem feito uma co­missão de ser­viço nos cor­re­dores de Bru­xelas ou mesmo uma for­mação no De­par­ta­mento de Es­tado dos EUA, então aí é que está tudo per­feito.

Uma es­pécie de Tra­tado de Tor­de­si­lhas em que aqueles que se julgam donos disto tudo, re­partem entre si os pe­daços do es­pólio que con­si­deram seu.

Uns e ou­tros pron­ti­nhos para fazer a ponte com o ca­pital que, como sempre, sabe bem onde há-de ir, de mão es­ten­dida, re­clamar o seu qui­nhão.




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