Vá para Tordesilhas cá dentro
Enquanto, no espaço público e mediático, PS e PSD se digladiam como se fossem os mais ferozes inimigos, enquanto utilizam todos os pretextos para parecerem muito diferentes uns dos outros, enquanto dizem que a seguir a 10 de Março é que vai ser, que vão fazer o contrário do que o outro diz, que por acaso é o contrário do que fez, enquanto, para inglês ver, se acusam mutuamente de aproveitamento do aparelho de Estado, têm sempre activado o modo de distribuição de lugares à mesa do Orçamento, desta vez a propósito da concentração de serviços de vários ministérios nas Comissões de Coordenação do Desenvolvimento Regional.
Depois de desarticularem e desmantelarem serviços de proximidade, designadamente dos ministérios da Cultura e da Agricultura, criando a confusão entre aqueles que precisam dos serviços e mesmo entre os seus trabalhadores, estão agora a instalar novas unidades orgânicas e, com elas, a distribuir lugares de chefia.
Defensores intrépidos da descentralização, vão soprando, à boca pequena, como fizeram com voz grossa quando sujeitaram a Regionalização a referendo, que isso é só para arranjar mais uns lugares para alguns.
Mas olha-se para o currículo dos nomeados para essas novas estruturas e logo se perceberá como as prebendas são distribuídas entre a malta do bloco central de interesses.
É preciso um vice-presidente? Está aqui um ex-assessor de um qualquer governante do PS. Faz falta um director-geral? Sai um ex-chefe de gabinete de um Secretário de Estado do PSD.
Se tiverem feito uma comissão de serviço nos corredores de Bruxelas ou mesmo uma formação no Departamento de Estado dos EUA, então aí é que está tudo perfeito.
Uma espécie de Tratado de Tordesilhas em que aqueles que se julgam donos disto tudo, repartem entre si os pedaços do espólio que consideram seu.
Uns e outros prontinhos para fazer a ponte com o capital que, como sempre, sabe bem onde há-de ir, de mão estendida, reclamar o seu quinhão.