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«Greve de transportes outra vez? Exija ser compensado» – é o título da campanha que a DECO tem em curso. A recolher assinaturas para fazer queixa à Provedoria de Justiça, pretendem alcançar uma «alteração legislativa» para «acabar com a injustiça imposta aos consumidores que dependem dos transportes públicos e que ficam prejudicados nos dias de greve», que «devem ter direito a uma compensação, que passa pela devolução do dinheiro correspondente aos dias de greve ou por um desconto no passe do mês seguinte».
«Deslocação garantida ou o dinheiro de volta. Devolução do valor do passe correspondente aos dias de greve ou supressão» – foi a ideia escolhida pela Iniciativa Liberal para o cartaz de grandes dimensões que mandou colocar junto ao terminal fluvial de Cacilhas no fim de Dezembro. E foi o que Rui Rocha foi repetir para a estação do Cacém na semana passada, no segundo dia de greve dos trabalhadores da IP, defendendo a devolução de uns espantosos 1,33 euros aos passageiros – que é quanto vale o «correspondente a um dia de greve» num passe de 40 euros.
Por esta altura já o leitor adivinhou quem é que falta ter a mesma brilhante ideia: o Chega, pois claro, que também apresentou um projecto-lei a propor os mesmos cêntimos de indeminização.
Qualquer utente dirá à DECO, ao Chega e à IL que são muito mais as horas e os dias perdidos por causa de atrasos e supressões que ninguém explica e que não passam na televisão do que aqueles em que a razão foi uma greve. E qualquer utente, que viaja como as sardinhas na lata ou que não tem transporte de todo, saberá explicar-lhes que não são as greves que os prejudicam. É não haver transporte que os sirva. E sobre isso, se o silêncio deles é ensurdecedor, o voto da CDU é a melhor resposta.