1,3333…

Margarida Botelho

«Greve de transportes outra vez? Exija ser compensado» – é o título da campanha que a DECO tem em curso. A recolher assinaturas para fazer queixa à Provedoria de Justiça, pretendem alcançar uma «alteração legislativa» para «acabar com a injustiça imposta aos consumidores que dependem dos transportes públicos e que ficam prejudicados nos dias de greve», que «devem ter direito a uma compensação, que passa pela devolução do dinheiro correspondente aos dias de greve ou por um desconto no passe do mês seguinte».

«Deslocação garantida ou o dinheiro de volta. Devolução do valor do passe correspondente aos dias de greve ou supressão» – foi a ideia escolhida pela Iniciativa Liberal para o cartaz de grandes dimensões que mandou colocar junto ao terminal fluvial de Cacilhas no fim de Dezembro. E foi o que Rui Rocha foi repetir para a estação do Cacém na semana passada, no segundo dia de greve dos trabalhadores da IP, defendendo a devolução de uns espantosos 1,33 euros aos passageiros – que é quanto vale o «correspondente a um dia de greve» num passe de 40 euros.

Por esta altura já o leitor adivinhou quem é que falta ter a mesma brilhante ideia: o Chega, pois claro, que também apresentou um projecto-lei a propor os mesmos cêntimos de indeminização.

Qualquer utente dirá à DECO, ao Chega e à IL que são muito mais as horas e os dias perdidos por causa de atrasos e supressões que ninguém explica e que não passam na televisão do que aqueles em que a razão foi uma greve. E qualquer utente, que viaja como as sardinhas na lata ou que não tem transporte de todo, saberá explicar-lhes que não são as greves que os prejudicam. É não haver transporte que os sirva. E sobre isso, se o silêncio deles é ensurdecedor, o voto da CDU é a melhor resposta.




Mais artigos de: Opinião

As contas erradas que nos desacertam a vida

A retórica das «contas certas», adoptada pelo Governo PS e insidiosamente martelada junto da população, consiste numa rematada aldrabice, seja do ponto de vista contabilístico, seja sobretudo do ponto de vista político. Vejamos. Em 2023, o Governo previu um investimento público (formação...

Palestina, um crime com nome

Completam-se no próximo sábado 100 dias sobre a «guerra de Gaza». São mais de três meses de um autêntico inferno e de actos bárbaros de terrorismo de Estado contra todo o povo palestiniano. Em particular contra a população mártir da Faixa de Gaza, mas também da Cisjordânia ocupada, onde Israel tem vindo a intensificar os...

Os donos-disto-tudo e nós

Escreve a Forbes (2.1.24) que as 50 famílias mais ricas de Portugal detêm, juntas, um «património empresarial de quase 40 mil milhões de euros, o que corresponde a 16,5% do PIB nacional», que em 2022 se situou nos 242,3 mil milhões de euros. As 10 primeiras da lista – encabeçada pelas famílias Amorim (Galp e Corticeira...

Natalidade exige outra política

Soube-se na semana passada que a Câmara Municipal de Pombal vai apoiar o nascimento de crianças com 500 euros em bens e serviços da primeira infância e associados à natalidade, desde que adquiridos no concelho. A medida, designada de «Berço Feliz», visa atribuir aquele montante em três anos, para apoiar os pais por cada...

0,24% de socialismo

Há coisas que não são possíveis de quantificar. Como o tentar saber quanto resta de socialismo neste PS, mesmo neste PS à esquerda de outro PS que ainda ficaria à sua direita. A recente polémica artificial sobre a compra de acções dos CTT pelo Governo em 2021 vem dar-nos um número que permite responder a essa pergunta:...