Beja não cai em ilusões e vai dar a sua confiança e apoio à CDU
«Não há ilusões vindas do PS, não há tentativas de limpeza de imagem do PSD e do CDS e dos que na altura lá estavam e que agora se passaram para a IL e o Chega(…); não há sondagens, por muitas que sejam», capazes de alterar a realidade: «é a CDU que cá está, que nunca faltou nem faltará. É a CDU que merece e vai ter a confiança desta gente de trabalho e desta terra de trabalho», sublinhou o Secretário-Geral do PCP sexta-feira, na Vidigueira.
O povo não tem memória curta, e muito menos os alentejanos
Paulo Raimundo encerrou uma sessão pública de casa cheia, ao final da tarde na biblioteca municipal da Vidigueira, concelho gerido pela CDU cujas gentes sabem, sentem e vêem, no seu quotidiano e na sua terra, a força e validade de confiar no PCP-PEV.
A isso mesmo aludiu o presidente da Câmara Municipal, Rui Raposo, o primeiro a usar da palavra na iniciativa. Designadamente destacando que «Trabalho, Honestidade e Competência» não é um mero slogan, mas uma realidade que se traduz em obras de beneficiação e acções de melhoria das condições de vida em todas as freguesias, na valorização do trabalho e dos trabalhadores das autarquias e nas opções políticas que o concretizam, na proximidade permanente às populações.
Daí que vale a pena, quando se aproximam eleições, salientar quem somos, como e para quem trabalhamos, considerou Rui Raposo.
No mesmo sentido, João Dias, primeiro candidato da CDU pelo distrito de Beja à Assembleia da República (AR), acusou o PS, que acusou de, em dois anos de maioria absoluta, ter provocado instabilidade na vida da maioria do povo e não ter uma medida positiva para apresentar. Aliás, prosseguiu, o que foi alcançado de positivo para os trabalhadores, deveu-se a propostas do PCP, disse, dando vários exemplos.
E pode o Governo agarrar-se às «contas certas», pois essas não são «para quem trabalha e cria riqueza», não «põem comida na mesa», acrescentou João Dias, para quem «o País não está condenado» a ser «mal governado pelas políticas quer unem PS, PSD, CDS, CH e IL».
Oportunidade para mudar
De resto, da ausência de fatalismo e da oportunidade aberta pelas eleições para «intervir e conquistar a vida melhor a que todos temos direito», falou também o Secretário-Geral do PCP. «Uma oportunidade que é tão importante que os do costume aí estão a tentar abrir o caminho da mentira, da mistificação e das ilusões», alertou.
Mas «a realidade é aquela que a população aqui da Vidigueira e do distrito de Beja conhecem por experiência própria», assinalou, destacando, com justiça, «o trabalho do João Dias: as visitas, contactos, participação constante ao lado da luta das populações, a qualidade das propostas que levou à AR, a persistência na resolução dos principais problemas».
Problemas extensíveis a todo o País mas que os alentejanos e os bejenses em particular bem conhecem, precisou Paulo Raimundo, insistindo que, na luta, «o PCP esteve lá ao lado das populações, a CDU esteve e está lá também com os seus autarcas, o João Dias lá esteve e está».
Vamos eleger
«A propaganda pode ser muita e forte, mas, ao contrário do que gostariam alguns, o povo não tem memória curta, e muito menos os alentejanos». Nesse sentido, «o caminho não é o de continuar a dar hectares e hectares para as culturas intensivas e promover autênticas chagas sociais com a exploração do trabalho imigrante, afastando as populações das localidades e esgotando os solos e a água», assinalou o Secretário-Geral do Partido, que antes da sessão pública na Vidigueira, contactou com assalariados agrícolas no Vale da Rosa (ver caixa).
«O caminho não pode ser o de investir unicamente na exportação de azeite, amêndoa ou frutos vermelhos, um negócio dominado por capital estrangeiro. O caminho necessário é o do desenvolvimento da agricultura, que crie emprego com direitos, respeite o ambiente e preserve os solos, promova a diversificação das culturas e a soberania alimentar».
Por isso, «não contem com o PCP para semear ilusões nem muito menos para branquear a política de direita», reiterou o dirigente comunista, antes de concluir que «o distrito de Beja vai, mas é que vai mesmo, eleger o deputado da CDU, vai eleger o João Dias».
Amarga exploração
Antes da sessão pública na Vidigueira, sexta-feira, 15, Paulo Raimundo contactou com trabalhadores da Herdade do Vale da Rosa, a maior produtora de uva em Portugal. Mas se ali o fruto não tem grainha, quem o produz amarga o caroço da exploração. Foi a estes que o Secretário-Geral do PCP se dirigiu.
Rodeado de dirigentes e militantes locais do Partido e tendo a seu lado o cabeça-de-lista do PCP-PEV pelo distrito de Beja, João Dias, Paulo Raimundo abordou os que laboram nas mais difíceis condições, a maioria imigrantes.
As conversas foram breves e circunstanciais. Há medo de falar das condições em que vivem e trabalham, sobejamente conhecidas. Ainda assim, alguns reconheceram a foice e do martelo como o emblema da sua classe.
No final, em declarações à comunicação social, o Secretário-Geral comunista assinalou que o contacto com os assalariados rurais teve como objectivo marcar na agenda temas centrais para a CDU, como a justa regularização da situação daqueles trabalhadores, a aplicação da legislação laboral e a alteração das normas que nesta agravam a exploração, o urgente aumento dos salários.
«Estes trabalhadores vieram à procura de uma vida melhor como fazem milhares de portugueses no estrangeiro. Sofrem graus de exploração muito intensos. Mas o que aqui se demonstra é que é preciso gente para trabalhar, que não podemos aceitar para estes trabalhadores condições menores do que aquelas que exigimos para os nossos compatriotas». Não há nenhuma razão para que permaneçam mais de 300 mil pedidos de legalização por responder por parte da entidade que substitui o SEF, considerou, também, o Secretário-Geral do PCP.
Mais tarde, já na Vidigueira, o líder comunista foi mais longe e deixou claro que «não admitimos nem aceitamos as situações de quase escravidão que afectam muitos trabalhadores imigrantes, sujeitos ao que o capitalismo impõe a todos os que trabalham, ou seja a exploração», mas «levada ao extremo».
«A direita reaccionária aponta o dedo aos imigrantes e não fosse a acção e intervenção dos municípios CDU na região, indo muito para além daquilo que são as suas responsabilidades, a situação social e demográfica seria ainda pior», explicou ainda Paulo Raimundo, que acusou essa mesma direita reaccionária de apontar «o dedo aos imigrantes e responsabilizá-los por todos os males» para «desviar a atenção dos que lucram com esta situação».