Arranque desastroso da UNIR na Área Metropolitana do Porto

O Movimento de Utentes de Serviços Públicos (MUSP) considera que o «arranque» da rede UNIR – Mobilidade da Área Metropolitana do Porto, no início do mês de Dezembro, defraudou as expectativas criadas ao longo de meses.

«A partida foi muito má e o serviço continua muito aquém do necessário»

«A partida foi muito má e o serviço continua muito aquém do necessário. Todos contávamos com mais e melhor serviço, mas o que a realidade demonstra é uma operação descoordenada, mal preparada e insuficiente, com utentes de vários concelhos a serem prejudicados com este arranque desastroso», afirma o MUSP, em nota de 13 de Dezembro, frisando: «Aquilo que poderia ser uma oportunidade para reforçar o serviço prestado aos utentes do distrito, lamentavelmente constituiu-se como motivo de decepção e de revolta».

Para os utentes, é uma «preocupação» que o arranque da gestão tenha sido feito da forma como foi, quando existiam condições para não ser assim. «Tendo presente que seria expectável alguma instabilidade no início de uma nova operação desta natureza, não é possível esconder o desastre que ocorreu e o caos que se instalou», critica o movimento, assinalando que, depois de tantos meses de preparação e após o início da operação, «não é aceitável que os responsáveis por esta alteração não tenham tomado medidas para conhecer o terreno, os circuitos, a operação de forma detalhada e articulada e preparar uma resposta capaz para os milhares de utentes do distrito».

Graves problemas
Segundo o MUSP, os problemas vão desde os horários incumpridos ao desconhecimento das rotas das carreiras, passando pela falta de informação e incapacidade de dar informações. «Há de tudo um pouco nesta operação da Unir que mais parece ter vindo desunir os concelhos que abrange», refere o movimento, salientando que são milhares de reformados, estudantes e trabalhadores que «não conseguem chegar a tempo ao trabalho» e «aos seus compromissos».

Os utentes denunciam também a «inoperância» das câmaras municipais envolvidas, da Área Metropolitana do Porto (AMP) e seus responsáveis políticos, «que, tendo todas as ferramentas para garantir um serviço de qualidade, optaram por se desresponsabilizar do seu papel neste processo». Consideram por isso que «é urgente» que os municípios «tomem medidas para dar resposta aos problemas instalados», designadamente na reposição das linhas retiradas dos horários suprimidos, do funcionamento da bilhética e das informações disponibilizadas.

 

PART foi uma vitória dos utentes

O MUSP recorda que, desde a implementação do PART – Programa de Redução Tarifária, com a redução dos preços – uma vitória dos utentes, houve um incremento na procura dos transportes colectivos, colocando-se a necessidade de implementar um avanço nestes serviços aos utentes.

«Agora, colocada que está a necessidade, não é aceitável o retrocesso claro que está implementando com a UNIR. Não chegam as promessas de que tudo se resolverá com o tempo e de que todos erram. São necessárias acções concretas e medidas imediatas. É urgente tomar medidas que reponham o que tiraram e que sejam cumpridas melhorias para os utentes», exige o MUSP, que vai continuar a lutar por transportes públicos colectivos e de qualidade na região do Porto.

 

PCP fala de uma «inegável incompetência»

Também a Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP fala de uma «inegável incompetência» dos municípios e da AMP, que «está a infernizar a vida dos utentes». Segundo a DORP, a situação comprova que os presidentes das autarquias «mentiram aos utentes quando anunciaram uma solução que reforçaria a mobilidade com mais carreiras, mais horários e percursos alargados», mas também que «foi errada a opção por recorrer a operadores privados em vez de trabalhar no alargamento progressivo da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) aos restantes concelhos da AMP», como o PCP sempre defendeu.

Esta semana, os comunistas de Oliveira de Azeméis criticaram a autarquia local por ter confiado a gestão dos transportes públicos do concelho à AMP, que acusa de «abundantes episódios de incumprimento» na rede UNIR, que passam por «atrasos de horas; supressão de autocarros, chegando os utentes, em protesto, a bloquear o veículo; pedidos de boleia enquanto se aguarda sem esperança na paragem; impedimento de crianças frequentarem a escola e de habitantes do concelho se deslocarem a consultas programadas».

 



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