Ataques brutais de Israel causam situação dramática na Faixa de Gaza
Sem se conseguir ainda um cessar-fogo, mais de 30 dias após o inicio dos bombardeamentos contra a população palestiniana na Faixa de Gaza, as forças israelitas continuam o massacre, causando dezenas de milhares de mortos e feridos, além da destruição de habitações e estruturas civis.
Mais de 10 mil mortos e 24 mil feridos palestinianos num mês de agressão israelita
As autoridades de saúde palestinianas denunciaram que os bombardeamentos israelitas já provocaram, até ao início desta semana, mais de 10 mil mortos, incluindo mais de 4000 crianças e 2550 mulheres, além de 24 mil feridos a necessitar de tratamento médico imediato.
Outros números divulgados pelas autoridades palestinianas indicam que, nas últimas semanas, os israelitas lançaram contra a Faixa de Gaza cerca de 30 mil toneladas de bombas, uma média de 82 toneladas por quilómetro quadrado. Desde então, 50 por cento dos edifícios do território foram danificados pelos ataques aéreos e incursões terrestres e 10 por cento deles ficaram totalmente destruídos. E 1,6 milhões de um total de 2,3 milhões de pessoas, quase 70 por cento da população daquele território, foram obrigadas a sair das suas casas.
A agência noticiosa Wafa informou na terça-feira, 7, que mais edifícios públicos, blocos residenciais e infraestruturas civis foram destruídos na noite anterior pelas bombas israelitas. Foram registados ataques desde a localidade nortenha de Beit Lahia, um dos focos acuais das operações terrestres israelitas em Gaza, até à cidade de Khan Yunis, no sul da faixa.
Nos últimos dias, repetiram-se ataques da aviação israelita contra hospitais, centros médicos, ambulâncias, escolas, mesquitas, campos de refugiados e locais de concentração de deslocados palestinianos, entre outros alvos civis. Metade dos hospitais e 62 por cento dos centros de saúde de cuidados primários estão fora de serviço por danos causados pelas forças israelitas ou por falta de combustível devido ao bloqueio total imposto por Telavive.
Palestina critica EUA e aliados
No plano diplomático, mantém-se o impasse no Conselho de Segurança das Nações Unidas, presidido actualmente pela China e onde os EUA têm bloqueado as propostas para um cessar-fogo.
Em Ramala, o governo palestiniano exigiu que os aliados de Israel expliquem se apoiam os crimes cometidos pelas forças de Telavive.
Um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros palestiniano lembra que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, «afirma estar a travar esta guerra destrutiva na Faixa de Gaza em nome da “civilização e seus países”, ou seja, daqueles Estados que o apoiaram a pretexto do direito à defesa». Acrescenta que «Netanyahu mata, destrói, viola o direito internacional e comete os crimes mais atrozes com esse argumento».
Embora sem mencionar nomes, mas numa clara referência aos EUA e seus aliados, o executivo palestiniano pede-lhes que expliquem «se apoiam os crimes de genocídio cometidos por Netanyahu em seu nome».
As autoridades palestinianas acusam Israel de cometer crimes de guerra e contra a Humanidade e de fazer uma limpeza étnica massiva ao cortar os serviços de electricidade e água, além do fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível e expulsar a população de suas casas.
E pedem aos países que «apoiam Israel nesta guerra catastrófica e destrutiva com o pretexto da autodefesa» que confirmem se apoiam ou não as violações cometidas em Gaza: «Ou serão parte desta guerra bárbara (…) ou a condenarão e trabalharão para detê-la e rejeitá-la».
Tragédia humana
O Crescente Vermelho da Palestina instou as organizações de saúde e humanitárias internacionais a proporcionar de forma urgente ajuda à Faixa de Gaza, que vive uma grave crise com a agressão israelita.
A instituição referiu-se, em especial, à situação no Hospital Al Quds, no norte, cujas áreas vizinhas têm sido alvo sistemático de ataques durante o último mês. Na segunda-feira, 7, as reservas de combustível estavam no fim e, se esgotadas, provocariam a paralisação de diversos equipamentos que salvam vidas, como incubadoras neonatais e unidades de cuidados intensivos. Além disso, havia escassez de medicamentos e uma falta significativa de alimentos e água potável para os trabalhadores, os pacientes e os feridos. Mais de 14 mil palestinianos estavam refugiados nesse hospital.
O Crescente Vermelho denunciou ainda que a crise humanitária em Gaza piora em cada dia que passa devido a uma maior intensidade dos ataques israelitas.
Nas últimas semanas, tanto o governo palestiniano como agências da ONU e organizações não-governamentais (ONG) condenaram em diversas oportunidades os bombardeamentos israelitas contra zonas próximas de hospitais.
Também o Organismo de Obras Públicas e Socorro para os Refugiados da Palestina no Médio Oriente denunciou a grave situação humanitária na Faixa de Gaza como consequência do bloqueio e dos bombardeamentos israelitas e instou a travar a escalada para aliviar o sofrimento das pessoas, realçando que se assiste a «uma tragédia humana de proporções colossais».
Presos palestinianos em cárceres israelitas
Em Ramala, o responsável da Comissão para Assuntos dos Prisioneiros e ex-Prisioneiros, Qaddoura Fares, instou o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) a travar as violações cometidas por Israel contra os presos políticos palestinianos encarcerados em Israel.
O portal Al Quds noticiou que, numa reunião entre representantes das duas instituições, Fares denunciou os sistemáticos maus-tratos que recebem os reclusos palestinianos por parte das autoridades israelitas. Criticou abusos, agressões e privações de direitos a que são submetidos os seus compatriotas nos cárceres israelitas, em especial com o novo ciclo de violência.
Numa outra reunião, essa com o embaixador dos Países Baixos, Fares pediu que o país europeu use a sua influência em Israel para travar a actual agressão contra o povo palestiniano e os ataques contra os presos.
«Desde o começo da guerra, os nossos presos – num total de cerca de seis mil – foram isolados dentro das suas celas, tiraram-lhes todos os pertences, incluindo roupa, mantas e utensílios de cozinha. Também os privaram de água potável e banhos de chuveiro», pormenorizou. Acusou ainda as autoridades israelitas de terem confiscado os aparelhos de rádio dos presos, impedido a entrada de jornais e reduzido a quantidade de alimentos, ao mesmo tempo que intensificaram maus-tratos e rusgas.