Seis anos depois dos grandes incêndios é urgente revitalizar o Pinhal de Leiria
Paulo Raimundo esteve, sábado, 14, no Pinhal de Leiria, e defendeu que é urgente voltar a dar vida à Mata Nacional, seis anos depois dos grandes incêndios.
Não estamos a salvo da repetição de nova catástrofe
A visita decorreu junto da torre de vigia do ponto novo, em plena área florestal, na freguesia da Marinha Grande, tendo como envolvente uma paisagem onde são ainda evidentes as marcas da destruição provocada pelo fogo, há já meia dúzia de anos, mas também do abandono a que foi votado o Pinhal de Leiria.
O Secretario-Geral do PCP denunciou, por isso, que não estamos a salvo da repetição de uma catástrofe de proporções semelhantes, considerando a falta de investimento e de preservação a que o Governo tem votado aquela Mata Nacional. «Não nos podemos esquecer porque chegámos à dimensão daqueles fogos. Continuamos com os mesmos problemas» porque prossegue e aprofunda-se «a ideia de que precisamos é do caminho de menos Estado e da desresponsabilização», disse.
É certo que a recuperação do Pinhal de Leiria, mesmo que cuidada e organizada, demorará anos a concretizar-se e que a natureza não pode ser substituída no seu papel, mas a vontade e a acção humana têm igualmente de cumprir a sua parte, notou. Contudo, insistiu na urgência de inverter as políticas de desinvestimento que possibilitaram as condições para uma das maiores catástrofes que se abateram sobre a floresta e as populações da região centro do País. Designadamente a redução drástica dos assistentes operacionais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, de quase 100 para 11, que ficaram com a responsabilidade de cuidar de 11 mil hectares de floresta, exemplificou.
Soluções
Daí que o PCP insista na necessidade de voltar a dar vida ao pinhal e inverter o caminho de abandono, desordenamento e falta de perspectiva que a incúria e incompetência do Governo PS têm promovido. Entre muitas outras medidas, é urgente um verdadeiro plano de reflorestação, a recuperação e requalificação, a efectivação de meios técnicos e humanos e a indispensável consideração no próximo Orçamento do Estado de, pelo menos, os 18 milhões de euros que resultaram da venda do material lenhoso pós incêndio, como, de resto, também defendeu Paulo Raimundo durante a visita.
A iniciativa inseriu-se na acção «Viver melhor na nossa terra», que o PCP tem desenvolvido por todo o Pais, apresentando propostas e soluções, exigindo e lutando pela melhoria das condições de vida das populações. Num plano mais amplo das políticas para o sector, o dirigente comunista salientou, igualmente, a necessidade de reconstruir o corpo de Guardas Florestais, criar «equipas de sapadores e garantir apoios para os baldios», assim como assegurar que «quem produz e trabalha seja devidamente pago», o que é «incompatível com o facto de o Governo não ter sequer aberto o portal sobre o preço da madeira», concluiu.