Urge pôr fim à tragédia no Médio Oriente

O PCP voltou a apelar ao fim da escalada de violência na Palestina e em Israel, uma tragédia que tem 75 anos e que «dura há demasiado tempo», admitindo, porém, que tal possa não acontecer «enquanto continuar a negação dos direitos do povo palestiniano (o direito à vida, à liberdade, à dignidade), enquanto continuar a violação do direito internacional por parte de Israel, enquanto continuar a ocupação e colonização ilegal da Palestina».

Esta posição da bancada comunista foi reiterada na sequência de uma declaração política do PSD proferida por Alexandre Poço, cujo conteúdo levou Bruno Dias a perguntar ao deputado laranja onde estava este «há três meses quando o campo de refugiados de Jenim foi bombardeado outra vez e outra vez», ou há seis meses (e há um ano, e há 15 anos) quando a Faixa de Gaza foi bombardeada outra vez e outra vez».

Antes, o parlamentar do PCP deixara já palavras de «profundo pesar pelas vítimas desta tragédia», realçando que a «perda de vidas humanas, os milhares de civis mortos, feridos ou estropiados, as populações deslocadas e desalojadas merecem a nossa solidariedade - e acima de tudo merecem respeito».

A gravidade da situação reclama entretanto de todos, enquanto país, uma resposta que não seja de «insultos e acusações» - muito menos de instigação a «mais massacres e mais mortes» -, mas sim de efectivo contributo «para que esta tragédia tenha um ponto final».

Bruno Dias recordou ainda que o PCP «sempre se distanciou de acções de violência que visam as populações e que não servem a causa do povo palestiniano», tal como sempre condenou a violência sobre civis, anotando que sobre esta questão «importa não esquecer que Israel tem muitas contas a prestar na sua prática de ocupação, violência e guerra, como é visível nos últimos dias».

Justiça para a Palestina

Na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros foi entretanto rejeitado pelos votos contra de PS, PSD, Chega e IL um voto de pesar apresentado pelo PCP pelas vítimas da actual escalada de violência na Palestina e em Israel e pela passagem de 75 anos de política de ocupação e de violação do direito internacional por parte de Israel.

Depois de uma chamada de atenção para as «graves consequências já verificadas da recente escalada para as populações», no texto salienta-se que «são particularmente inquietantes os bombardeamentos indiscriminados, a dimensão da destruição, o corte de abastecimento de água, de alimentos e de energia à Faixa de Gaza – agravando um bloqueio imposto por Israel desde 2006, que levou a ONU a considerar as condições neste território impróprias para sustentar a vida humana -, assim como a ameaça de entrada de forças israelitas, procurando colocar a população palestiniana entre a morte e a expulsão das suas casas».

No voto podia ler-se ainda que a «paz só será possível com justiça para o povo palestiniano, com o respeito pelo direito internacional, com a concretização de uma solução política através do cumprimento das relevantes resoluções da ONU, com o fim da política de ocupação e opressão por parte de Israel».

 



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