Todos não são de mais para construir e defender a paz

O CPPC desenvolve uma intensa e diversificada actividade em todo o País com o objectivo de alargar a consciencialização e mobilizar para a acção em defesa da paz, do desarmamento e da solidariedade. Houve concertos em Lisboa, Seixal e Loulé e no dia 28 realiza-se em Vila Nova de Gaia o III Encontro pela Paz.

Pela paz, todos não somos de mais» é simultaneamente um lema e um apelo à mobilização

Em Lisboa, o Concerto pela Paz realizou-se no sábado, 7, no Fórum Lisboa com a presença de centenas de pessoas, que ali puderam expressar – a muitas vozes – a sua vontade de defender a paz e rejeitar a guerra. Organizado pelo CPPC, com o apoio do município, o concerto foi apresentado pela actriz Maria João Luís, que leu poemas de Jorge de Sena e Natália Correia. Desta última, Ode à Paz, termina da seguinte forma: Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,/ Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,/ Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,/ Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,/ Abre as portas da História,/ deixa passar a Vida!.

A primeira actuação musical esteve a cargo do grupo feminino Fio à Meada, seguida de Hadessa, do cante alentejano do grupo Alcante – associação coral alentejano, sediada em Alcântara, do Jazz do Quarteto Carolina Moura acompanhada por Sara Gonçalves, Constança Peres e Rita Caravaca e, quase no final, as canções de José Barros, voz do grupo Navegante.

Quase a terminar, José Barros convidou todos os grupos e artistas a subirem ao palco para cantar no palco Grândola, vila Morena. O público juntou-se a coro, num momento emocionante.

Em todo o País
Na véspera, em Loulé, realizou-se no Cineteatro Louletano outro Concerto pela Paz, o primeiro realizado na região, igualmente com o apoio da Câmara Municipal. Com a sala completamente lotada, centenas de pessoas aplaudiram as dezenas de artistas de todas as idades que ali generosamente actuaram: e houve música, dança e poesia interpretadas por associações culturais, escolas artísticas e artistas individuais.

As actuações começaram com o Ensemble de Flautas de Loulé, um agrupamento formado por alunos de flauta de Bisel do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado e da Escola de Música da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva, sob a direção da professora Ana Figueiras.

Depois das intervenções de Ilda Figueiredo e do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, foi a vez do Duo Kasal – composto por Jorge Alves (acordeão) e Mariline Martins (violino), ambos professores de música na Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva. Seguiu-se a dança com o grupo Contemporâneo Fusion, que apresentou diversas coreografias da professora Patrícia Elias. A Casa da Cultura de Loulé trouxe música e poesia com artistas de todas as idades, a que se seguiu a apresentação do Quarteto de Acordeões, formado por alunos do Conservatório de Música de Loulé.

O concerto terminou com a chamada ao palco, pela apresentadora Catarina Teixeira, dos representantes de todos quantos tornaram possível esta grande iniciativa em defesa dos valores da paz.

No domingo, no Seixal, realizou-se nas instalações da Sociedade Filarmónica União Seixalense o 9.º Concerto pela Paz de 2023, uma vez mais com o apoio da autarquia. Apresentado pela actriz Maria João Luís, que colocou nessa função todo o seu reconhecido talento e imensa sensibilidade, subiram ao palco Vítor Paulo, a música andina de Taky Som (do Equador), a Banda Filarmónica da SFUS e do seu músico e cantor Ricardo Mestre.

Para além de Ilda Figueiredo, interveio o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, que valorizou as iniciativas de solidariedade ali realizadas e destacou a importância do Movimento dos Municípios pela Paz, que a câmara a que preside coordena. O autarca anunciou que no Encontro pela Paz em Gaia o Seixal estará fortemente representado.

Denunciar e mobilizar
Em todos os concertos interveio Ilda Figueiredo, presidente da direcção nacional do CPPC. Saudou os presentes, agradeceu o contributo de grupos, artistas, colectividades e autarquias e denunciou alguns dos conflitos, guerras e ingerências, ocupações e bloqueios que marcam o nosso tempo. Referiu-se em concreto à ocupação da Palestina e do Sara Ocidental, ao bloqueio dos EUA contra Cuba e à guerra na Europa, apelando à solidariedade com os povos vítimas dessas situações. Apelou à participação no III Encontro pela Paz, que se realiza no dia 28 em Gaia (ver texto nestas páginas).

Estas questões estiveram em foco em muitas outras iniciativas que o CPPC promoveu e nas quais participou, nomeadamente debates públicos e sessões em escolas dos mais variados graus de ensino e um pouco por todo o País. «Pela paz, todos não somos de mais», foi referido em todas elas, como apelo e como compromisso.

 

Os caminhos da paz vão dar a Vila Nova de Gaia

Em destaque nos três concertos, e em muitas outras iniciativas realizadas pelo CPPC e por outras organizações, esteve a mobilização para o III Encontro pela Paz, que se realiza já no próximo dia 28 em Vila Nova de Gaia. Esta iniciativa surge na sequência de outros dois encontros, realizados em Loures a 20 de Outubro de 2018 e em Setúbal a 5 de Junho de 2021.

À semelhança dos anteriores, este Encontro é organizado pelo CPPC em conjunto com diversificadas organizações sociais que, «na sua prática quotidiana, tomam clara e inequívoca posição pública contra a guerra e manifestam sincera determinação em defender os valores da paz e da solidariedade entre os povos». Todas estas organizações estão conscientes de que é «imperioso encontrar as respostas mais adequadas para enfrentar as sérias ameaças à paz que continuam a pairar sobre a Humanidade», lê-se no Apelo em distribuição.

Aderiram a este desafio, num primeiro momento, a Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD); a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN); a Federação Nacional de Professores (FENPROF); a Juventude Operária Católica (JOC); o Movimento Democrático de Mulheres (MDM); o Movimento dos Municípios pela Paz (MMP); o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM); a Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM); a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), a Câmara Municipal de Setúbal (local do último Encontro pela Paz), a Câmara Municipal de Évora (coordenadora em Portugal da rede Mayors for Peace) e a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia (anfitriã do III Encontro pela Paz).

Muitas outras juntaram-se posteriormente à promoção e realização do Encontro, que terá como objectivo geral – lê-se no Apelo – «contribuir para a promoção da mobilização e intervenção em defesa da paz e da cooperação internacional, pela rejeição do militarismo, da corrida aos armamentes e da guerra, tendo presentes os princípios constantes na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas».

Local, horário e temas centrais
O III Encontro pela Paz, que ocorre nas proximidades dos 50 anos do 25 de Abril, tem como lema Nos 50 de Abril, pela Paz, todos não somos demais!. Realiza-se no Pavilhão Municipal – Oliveira do Douro – Vila Nova de Gaia, entre as 10h30 e as 17h30 do próximo dia 28 de Outubro. Funcionará em plenário, sendo convidadas a intervir organizações e personalidades sobre a defesa da paz e a acção desenvolvida e a desenvolver neste âmbito em torno de três temas centrais:

  • Paz e desarmamento: A rejeição do militarismo, da corrida aos armamentos e da guerra; o encerramento das bases militares estrangeiras; a abolição das armas nucleares e outras armas de destruição massiva; a dissolução dos blocos político-militares, como previsto na Constituição da República Portuguesa. A defesa do ambiente e da Paz; o desanuviamento das relações internacionais, o desarmamento universal, simultâneo e controlado; o respeito dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional.

  • Cultura e Educação para a Paz: A defesa da Paz; a educação e a cultura da paz, da solidariedade e de uma cidadania activa contra todas as formas de discriminação, a importância do envolvimento das escolas, dos professores, da juventude, das autarquias locais, do movimento associativo, dos artistas, dos sindicatos, dos jornalistas, das mulheres.

  • Solidariedade e cooperação: A solidariedade com os povos vítimas da ocupação, do colonialismo e das ingerências e agressões externas. A solidariedade com os migrantes e refugiados.



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