Mais recreio e tempo lúdico e menos telemóvel

O PCP quer ver adoptadas orientações por parte do Governo no sentido de restringir a utilização dos ecrãs lúdicos a programas integrados no projecto educativo no pré-escolar e do ensino básico, garantindo a não exposição das crianças dos zeros aos três anos a qualquer tipo de ecrã.

Esta é uma das medidas propostas pela bancada comunista em debate realizado dia 4, tendo como pano de fundo o impacto do uso excessivo das novas tecnologias no desenvolvimento das crianças e jovens.

«Valorizar os recreios, promover o seu papel pedagógico, lúdico e social», assim se chama o projecto de resolução comunista, que acabou inviabilizado com os votos contra de PS, PSD e IL, sem abstenções e os votos favoráveis das restantes forças políticas. Em debate estiveram também diplomas do BE, PAN e PS, tendo apenas o redigido por este último obtido aprovação.

O uso excessivo de ecrãs lúdicos é uma questão que carece de reflexão da sociedade, na opinião do PCP, que vê como necessárias medidas que protejam as crianças e jovens das consequências de tal prática, «valorizando o tempo, o espaço e as oportunidades que têm de brincar e conviver de forma activa e saudável».

Tanto mais que, como sublinhou na apresentação do diploma da sua bancada o deputado Alfredo Maia, é hoje manifesta a «insuficiência de tempo livre, de espaço, de tempo e condições para o convívio com a família e com os amigos». Realidade que, anotou, é indissociável das «jornadas e horários de trabalho impostas aos pais, as enormes distâncias percorridas entre a casa e a escola, os longos tempos de espera antes e depois das aulas, a que acrescem a insuficiência de espaço e de tempo de recreio».

O PCP entende assim que a abordagem desta matéria, designadamente quanto à utilização de ecrãs lúdicos nos períodos de recreio e nos compassos de espera, deve envolver a participação dos pais e das próprias crianças. Mais, adiantou Alfredo Maia, obriga a que se revisite a arquitectura e a organização das escolas, e, bem assim, a que se encare «criticamente a falta de actividades de tempos livres e de profissionais de várias áreas que as estimulem e orientem».

Entre as muitas medidas propostas pelo PCP destaque ainda para a que advoga o estudo de experiências de «recreios livres de equipamentos digitais», bem como para a que preconiza «orientações com vista à fruição por parte das crianças e jovens dos recreios na sua plenitude, incluindo o brincar, o jogo lúdico e a socialização entre pares».

 



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