A Festa que os incomoda
Provavelmente o leitor estará a preparar-se para ir à Festa, está na Festa ou esteve na Festa do Avante! nos últimos dias. Provavelmente, também, não terá sido pela presença mediática da Festa que vai, está ou lá esteve. Com uma ou outra excepção muito conjuntural e para lá de momentos que não podiam ser ignorados (como a visita do Secretário-Geral do PCP), este foi mais um ano em que a Festa esteve ausente do espaço mediático nos meses e semanas que a antecederam, em particular a sua dimensão cultural.
A Festa é única, como testemunham todos os anos os milhares de visitantes que por lá passam: três dias de convívio, música, teatro, cinema, gastronomia, ciência, debates, onde estão presentes as lutas pelos direitos, pelos serviços públicos, pelo progresso social, pela paz e solidariedade, no País e pelo mundo. Por exemplo, a peça do Expresso sobre a construção da Festa é um avanço face a anos anteriores, em que só havia espaço no jornal para atacar o maior acontecimento político-cultural do País e quem o realiza. No entanto, continua a ficar de fora a programação cultural, por exemplo.
Olhando para a forma como são tratadas no plano mediático outras grandes manifestações culturais com participação de massas, nomeadamente os festivais de música, vemos uma diferença muito significativa, com maior presença do que a Festa. Curiosamente, nalguns casos, com cartazes em que figuram artistas que também vão ou foram à Festa do Avante!. São opções que revelam um preconceito para com a Festa (e para com o PCP, que a organiza), que se torna ainda mais claro quando verificamos que na generalidade dos festivais existem parceiros mediáticos que são privilegiados (como uma televisão ou rádio oficial), mas todos os outros também dão notícia. Também nisto a Festa é diferente e trata todos em plano de igualdade e ainda assim é, tantas vezes, silenciada.
A verdade é que a Festa do Avante! tem uma dimensão que ultrapassa largamente o modelo em que a comunicação social dominante a tenta encaixar. Não é uma rentrée, como é prática noutros partidos, não é só um festival de música, de teatro ou de cinema, não é só uma festa popular, é um pouco de tudo isso e é mais do que a simples soma de cada um dos seus elementos. É o que é porque é realizada pelo PCP, porque incorpora os valores de Abril, porque, como reconhecem muitos visitantes de outros partidos e sem partido (jornalistas incluídos), contém em si o que de melhor se faz no nosso País num ambiente em que todos os que lá vão por bem se sentem bem-vindos.
Esta sexta-feira, a Festa abre as suas portas também aos profissionais da comunicação social que lá estarão em trabalho. Depois, faremos o balanço dessa cobertura mediática, sem ilusões, mas sempre com a expectativa de que venha a ser bem diferente do que assistimos até aqui. Boa Festa, também para os jornalistas, repórteres de imagem, fotojornalistas, técnicos de comunicações e outros profissionais da comunicação social!