Confiança, alegria e razão à beira da Festa do Avante!

O Secretário-geral do PCP convidou todas as pessoas a participarem na 47.ª edição da Festa do Avante!, «um exemplo vivo de construção colectiva e de empenho extraordinário» dos comunistas e de muitos amigos do Partido.

«As pessoas não se governam com promessas atrás de promessas»

O apelo foi feito no comício «Mudar de Política – Soluções para as nossas vidas», que decorreu, quinta-feira, na Marinha Grande e num jantar, sexta-feira, no Pavilhão do PCP na Feira de Agosto de Grândola. Até abrirem as portas «ainda há tempo para ir à conversa com muita gente, para divulgar e vender mais EP (entradas permanentes), um título de solidariedade fundamental para com a grande festa de Abril, da solidariedade, da cultura, do desporto, da amizade, da paz. Aos que ainda estão a decidir, Paulo Raimundo afiançou que serão «três dias mágicos».

Na terra do vidro e perante uma plateia numerosa eentusiasta, o momento arrancou com a actuação de Carlos Vicente, que interpretou temas de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. O momento político contou com a participação de Etelvina Ribeiro, João Norte, José Luís Sousa, dos Organismos Executivos da Direcção da Organização Regional de Leiria (DORLEI), Luís Caixeiro, do Comité Central e responsável pela DORLEI, Vasco Cardoso, da Comissão Política do Comité Central, Rui Braga, do Secretariado do Comité Central, e Paulo Raimundo.

João Norte reafirmou aos trabalhadores e ao povo da Marinha Grande e do distrito de Leiria que, como sempre, «contam com a acção determinante e consequente do PCP, na defesa dos seus interesses e aspirações», como recentemente aconteceu na Santos Barosa, Crisal, Gallo Vidro, Novaris, Shopping de Leiria, Atlantis, SPAL, Bordalo Pinheiro, Promol e Esip. Os trabalhadores «sabem que estamos lá todos os dias, na luta por melhores salários, horários regulados e vínculos estáveis de trabalho», destacou.

Propostas urgentes
A encerrar o comício, Paulo Raimundo sublinhou que é preciso avançar com investimentos estruturais que há décadas os sucessivos governos PS e PSD, com ou sem o CDS, prometem e não concretizam, como é disso exemplo a electrificação e modernização da Linha do Oeste, «um investimento determinante que perpassa este distrito de Sul a Norte e serve oito dos seus 16 concelhos», e a construção de um novo hospital na Região Oeste, «cuja dimensão e valências dêem resposta aos cuidados de saúde de todo o Sul do distrito». «Esse hospital tem de existir para servir as populações e não o negócio da doença, o que só se garante com a construção e gestão pública – com autonomia, com a participação dos utentes e profissionais – em vez de se promover mais uma parceria público-privada», desmascarou o Secretário-geral do Partido.

Sobre os incêndios fatídicos de 2017 nos concelhos de Pedrogão Grande e Marinha Grande, assinalou que continuam por concretizar as propostas do PCP para o investimento nos Bombeiros e Protecção Civil, no ordenamento da floresta e no reforço da verba para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, no apoio à Agricultura Familiar e no investimento nos serviços públicos que PS, PSD, Chega e IL têm chumbado. Deu ainda conta de centenas de produtores de pêra rocha, com quebras de produção significativas.

Litoral Alentejano
Em Grândola, Paulo Raimundoalertou para a falta de médicos no Litoral Alentejano, por se estarem a reformar «sem serem substituídos». Criticou, por isso, o «desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde», bem como a «falta de respeito pelos profissionais», ao mesmo tempo que «seis mil milhões de euros são transferidos do Orçamento do Estado» para os privados. No palco estiveram também Sandra Garcia, da Direcção da Organização Regional do Litoral Alentejano (DORLA), António Figueira Mendes, presidente da Câmara Municipal de Grândola, e André Martelo, do Comité Central e responsável pela DORLA.

«Os trabalhadores do Litoral Alentejano continuam a enfrentar a exploração e o ataque aos seus direitos nos diversos sectores, ao mesmo tempo que aumentam os lucros do patronato», sublinhou Sandra Garcia, referindo-se a empresas como a Galp, a Repsol, EDP e Administração dos Portos de Sines.

Por seu lado, António Figueira Mendes anunciou que a autarquia vai realizar um conjunto importante de acção (a programação será apresentada em Outubro) com o objectivo de valorizar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

 

Governo deve apoiar os pequenos agricultores

No domingo, o Secretário-Geral do PCP visitou a 42.ª edição da Agrival – Feira Agrícola do Vale do Sousa, em Penafiel. Como salientou, os contactos realizados no local confirmam, por um lado, a «persistência» da pequena e média agricultura que predomina na região e, por outro, as «dificuldades inerentes aos custos crescentes dos factores de produção, aos preços pagos aos produtores, que nem são compensadores nem correspondem aos elevadíssimos preços que os consumidores pagam na grande distribuição», e «aos efeitos da seca, com grande impacto em diversas produções e particularmente na alimentação animal».

«Dificuldades que são agravadas pela ausência de respostas do Governo, pelos apoios que só chegam ao agronegócio» e «pela obstaculização do Governo, mas também do PSD, do Chega e da IL, às propostas do PCP para lhes dar resposta», acusou Paulo Raimundo. Deu como exemplo a recusa em fixar o preço do gasóleo agrícola em valores que não fossem superiores à média dos últimos cinco anos, para o que poderia contar com as verbas da Política Agrícola Comum. Recusada foi igualmente a criação de uma Empresa Pública de Aprovisionamento de Cereais e de planos nacionais de Forragens e de Produção de Cereais.

Incapacidade em definir apoios
Em Grândola, na sexta-feira, o dirigente comunista alertou para o «conflito» entre a produção nacional, o défice alimentar e a incapacidade de lhe dar resposta. Fez assim referência aos dados do Instituto Nacional de Estatísticas relativos à colheita de cereais de Outono-Inverno durante a campanha 2022/2023 que foi «a pior de sempre para todas as espécies cerealíferas». O INE alertou também que os produtores de cereais de sequeiro que se candidatam no âmbito do PEPAC aos pagamentos associados poderão, na sua maioria, não ser elegíveis, em virtude de não cumprirem as produtividades mínimas exigidas no âmbito da medida.

«Rapidamente vieram culpar a seca», que é, de facto, «um problema que não se quer enfrentar e tem as costas largas. Mas a verdade é que a área semeada, isso sim, foi uma das menores de sempre», alertou Paulo Raimundo, afirmando que os agricultores não semearam «pelos elevadíssimos custos de produção, dos combustíveis, dos adubos, dos pesticidas» e pela «incapacidade do Governo de definir apoios claros e preços justos à produção».

 

Proteger o direito à habitação

Paulo Raimundo reclamou do Governo medidas para dar resposta e solução aos graves problemas de habitação(ver pag. 6 e 7). É preciso «pôr os lucros da banca a suportar os aumentos das taxas de juro», reforçou o Secretário-Geral do PCP, na Marinha Grande e em Grândola, preocupado com a «vida de milhares e milhares» de pessoas que «se estão neste momento a privar de tudo o que possam para aguentarem o seu maior bem, a sua casa». Neste sentido, considerou serem incompreensíveis «os 11 milhões de euros que a banca encaixa, por dia, à custa de cada um de nós».

Em Penafiel, à margem da visita à Agrival e em declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo exigiu que o Governo cumpra a promessa de reconverter as antigas instalações do Ministério da Educação, em Lisboa, em alojamento estudantil. Reagia aos dados do último relatório do Observatório do Alojamento Estudantil, que dão conta de uma subida dos preços superior aos 10,5 por cento da média nacional, havendo aumentos de 33 por cento. Por exemplo, um quarto no Porto custa, em média, 425 euros por mês e em Lisboa 450 euros.

 



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