Floresta e baldios: quem os defende?

Manuel Rodrigues

A Federação Nacional dos Baldios (Baladi) emitiu na passada sexta-feira um comunicado, chamando a atenção para o facto de os agrupamentos de baldios estarem a funcionar sem apoios do Estado desde janeiro, apesar de já terem sido aprovados 5,4 milhões de euros pelo Governo para assegurar a continuidade do projecto, até 2026.

O que está em causa são 10 agrupamentos de baldios constituídos pela Baladi desde 2019, que incluem 55 comunidades, abrangendo cerca de 57.000 hectares de área florestal, e que fazem uma gestão comum dos baldios a nível de novas plantações, áreas de aproveitamento de regeneração natural, beneficiação e abertura de caminhos, aceiros, área de controlo de invasoras e criação de áreas de pastagens melhoradas para o gado, entre outros, e representam um inequívoco avanço numa gestão integrada e ordenada da floresta, possibilitando, para além da floresta, o aproveitamento de muitos outros recursos dos baldios. Beneficiam as 55 comunidades envolvidas e a economia do País.

O impasse está a colocar sérias dificuldades no pagamento de salários das pessoas contratadas para este projecto, e na manutenção dos postos de trabalho. Neste quadro, tem valido o sentido de responsabilidade e seriedade dos baldios que assumiram custos não previstos e as falhas financeiras do Estado. Mas está em causa a credibilidade das instituições públicas, do seu relacionamento com as pessoas e do serviço público que prestam.

No momento em que, mais uma vez, incêndios lavram descontrolados e flagelam populações e o mundo rural, o mesmo Governo, que enche a boca com prevenção e se diz preocupado com a floresta ardida, quem sabe para poder continuar a falar de contas certas, mostra este desprezo pelas poucas experiências de uma floresta ordenada, preparada para resistir aos incêndios, com grande impacto nos planos social e do território.

Parece absurdo, mas não é… são as contas incertas, exemplo do que a política de direita é capaz, se não lhe travarmos o passo e a substituirmos por uma outra política que promova a produção nacional e proteja e defenda direitos ancestrais.




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