7000
7000 euros (sete mil, por extenso, para que não subsistam dúvidas) é o valor dos lucros que o conjunto da banca conseguiu em Portugal, por minuto, no último ano, número que se confirma pelo menos para o primeiro trimestre deste ano, período em que aumentou os lucros para perto de mil milhões de euros.
Quando o leitor acabar de ler estas linhas, mesmo que isso aconteça a horas tardias em que essas instituições se encontram encerradas, os bancos terão embolsado mais 15 mil a 20 mil euros.
O escândalo é de tal monta que se pode traduzir numa equação simples. Aqueles que cobram comissões, taxas e taxinhas por tudo e por nada (pelas quais os liberais da nossa praça já não protestam), aqueles que se recusam a pagar juros mínimos a quem lhes empresta dinheiro por via dos depósitos a prazo, aqueles que cobram juros usurários por empréstimos às famílias para o bem essencial que é a habitação ou às pequenas e médias empresas para assegurarem investimentos ou necessidades de tesouraria, são os mesmos que, a cada minuto que passa, embolsam mais do que um trabalhador que ganhe o salário mínimo nacional leva para casa, de salário base, ao final de um ano inteiro de trabalho.
À terceira vaga de crise – primeiro foi a crise financeira, depois a crise sanitária e agora a crise associada à guerra –, Fernando Ulrich, o banqueiro que, na primeira delas, à questão que lhe foi colocada se o povo ainda aguentaria mais sacrifícios, deu a célebre resposta «ai aguenta, aguenta», diria agora o mesmo.
Até porque esses sacrifícios, de que o aumento da prestação média dos empréstimos à habitação em 40%, num ano, como confirmou o INE, é o mais acabado exemplo, são os alicerces onde assentam estes lucros pornográficos. Assim como pornográfica é a atitude do Governo e dos subscritores da política de direita, que tudo fazem para lhes garantir os 7000 dos próximos minutos, horas, dias, semanas e meses. Disso não se queixou o Presidente da República no mais recente veto ao Pacote da Habitação.
E é por isso que todos os próximos minutos, horas, dias, semanas e meses têm que ser usados para lhes dar combate!