CDU denuncia «mão de obra escrava» na hotelaria da Madeira e do Porto Santo
A CDU alerta para o aumento da precariedade laboral, dos baixos salários e a da degradação das condições de trabalho na hotelaria, numa altura em que o sector apresenta um exponencial crescimento.
«Agravamento da exploração e da precariedade»
Numa iniciativa realizada quinta-feira, junto à Secretaria Regional do Turismo e Cultura, no Funchal, Ricardo Lume, segundo na lista da CDU às eleições regionais de 24 de Setembro, lembrou que, ao mesmo tempo que cresce a actividade turística na Região, «acentua-se a instabilidade para quem trabalha, fruto do aumento da precariedade laboral, dos baixos salários, dos ritmos de trabalho acelerados, horários desregulados e repartidos que muitas vezes são incompatíveis com a vida familiar e social».
Ainda segundo o também deputado na Assembleia Legislativa, na Madeira, «o agravamento da exploração e da precariedade fazem com que, em muitos lugares, esteja a crescer a mão de obra escrava» na hotelaria da Madeira e do Porto Santo. «Há trabalhadores em unidades hoteleiras, nalguns casos emigrantes, alojados em condições infra-humanas, a quem é descontado do ordenado a dormida e a refeição», denunciou, acusando: «Perante estes problemas da precariedade e de exploração, os governantes optam por uma inaceitável conivência com quem explora e beneficia, em muito, com estas formas de mão de obra escrava».
Ricardo Lume concluiu afirmando que «os trabalhadores do sector do turismo e similares são os principais responsáveis pelo desenvolvimento do sector na Região e os principais embaixadores da Madeira junto de quem nos visita». Por isso, acrescentou, «a dignificação do trabalho, o aumento justo dos salários e a estabilidade laboral, combatendo a precariedade e os horários desregulados, são matérias decisivas para mantermos a nossa Região como um dos melhores destinos do mundo para visitar e passar férias, mas também garantir melhores condições de vida a quem trabalha na nossa terra».
Dar voz aos problemas reais das populações
Em várias acções de contacto realizadas no sábado na freguesia de São Martinho, Herlanda Amado, quarta na lista da CDU às eleições de 24 de Setembro e eleita na Assembleia Municipal do Funchal, apontou várias promessas feitas ao longo dos anos às populações, às quais os governantes não deram resposta.
«Em zonas mais abastadas, onde cresce a especulação imobiliária, o desenvolvimento é feito gastando milhões (de euros). Mas onde vive o povo, onde vivem muitas famílias trabalhadoras, apenas se conhece o desenvolvimento através da comunicação social», acusou a candidata, reclamando, para ali, uma intervenção «urgente» ao nível da melhoria de acessos e construção de outros, garantindo «melhores condições em termos de segurança, mobilidade e saneamento básico».
Novo rumo
No domingo, Edgar Silva, Coordenador Regional do Partido e cabeça de lista da CDU às eleições regionais, afirmou que «é preciso pôr um fim a tantos anos de políticas de exclusão social», sendo «tempo de derrubar um regime gerador de tanta injustiça social» e «escolher um novo rumo e uma outra política para esta Região». «Em lugares como o Lazareto, tão perto do centro da cidade do Funchal, ou em sítios como o Largo do Miranda ou do Curral dos Romeiros, são muitas as vítimas da desigualdade social e territorial. Aqui e em muitos outros lugares», lamentou.
De acordo com Edgar Silva, a CDU «é o único projecto político que tem uma intervenção continuada e próxima das populações injustiçadas» e a força política que «dá garantias de um agir consequente na prioridade dada às vítimas da exclusão social, assim como de compromisso com a defesa das suas mais justas reivindicações».