Polisário denuncia «manobras subversivas» de EUA, Israel e Marrocos no Sara Ocidental
O governo da Argélia considerou o reconhecimento por Israel da «pretensa soberania» marroquina sobre o território do Sara Ocidental uma «violação flagrante» do direito internacional, em especial das decisões do Conselho de Segurança da ONU relacionadas com a questão. Segundo Argel, a decisão anuncia «um novo enredo na série de manobras e da política de fuga para a frente adoptada pela ocupação marroquina».
Já a Frente Polisário, que dirige a luta do povo sarauí contra a ocupação marroquina e pela concretização do seu legítimo direito à autodeterminação e independência, qualificou a decisão de Israel «nula e sem efeito» e insurgiu-se contra as «manobras subversivas conjuntas, securitárias e militares», destinadas a desestabilizar a região norte-africana e o Sahel.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu – numa altura em que intensifica as agressões contra o povo da Palestina ocupada e enfrenta forte contestação no seu próprio país –, informou recentemente o rei Mohammed VI da iniciativa de Telavive de «reconhecer a soberania» de Marrocos sobre o Sara Ocidental.
Em Dezembro de 2020, nos últimos dias da administração Trump, os Estados Unidos da América tinham dado idêntico passo e, em troca, Rabat restabeleceu relações diplomáticas com Telavive. Desde então, Marrocos e Israel têm aumentado a cooperação nos domínios do comércio e do turismo, mas, sobretudo, nos planos militar e de segurança, sob a égide de Washington.
China e Argélia: amizade de longa data
A China e a Argélia abordaram ao mais alto nível as boas relações entre os dois países e passaram em revista a cooperação bilateral no quadro da iniciativa chinesa A Faixa e a Rota e em outros domínios.
O presidente chinês, Xi Jinping, destacou a amizade de longa data entre a China e a Argélia, a propósito do recente encontro em Pequim com o seu homólogo norte-africano, Abdelmadjid Tebboune.
Ambas as partes coincidiram na avaliação positiva das boas relações bilaterais e abordaram assuntos internacionais e regionais, assim como outros temas de interesse comum.
Tebboune efectuou em Julho uma visita de cinco dias à China, onde manteve conversações sobre questões práticas da cooperação no quadro da iniciativa A Faixa e a Rota. Observadores admitem que a delegação argelina tenha abordado com a parte chinesa o interesse da Argélia em fazer parte do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), cuja cimeira decorre em Agosto, em Joanesburgo.
Em 2014, a Argélia estabeleceu uma associação estratégica integral com a China, tendo sido o primeiro país árabe a fazê-lo. As duas partes celebraram antes o 60.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas.