Só a paz é do interesse dos povos

Cristina Cardoso

Democratas e Republicanos servem os interesses dos monopólios

No passado 3 de Junho o Presidente dos EUA, Joseph Biden, assinou uma lei para suspender, até 1 Janeiro de 2025, o tecto da divida publica norte-americana para não entrar em incumprimento. Uma medida, negociada entre Democratas e Republicanos, tomada no limite do prenúncio de uma «catástrofe económica e financeira», como alertado pelo Departamento do Tesouro, mas que mais não é do que um pequeno «balão de oxigénio» para uma crise que se adivinha em desenvolvimento.

O tecto de 31,4 biliões de dólares, que já tinha sido atingido em Janeiro deste ano, representa mais de 120% do PIB dos EUA, o equivalente a uma divida de 94 mil dólares por cidadão americano (Global Times). O acordo alcançado para permitir que a administração norte-americana possa continuar a contrair divida inclui o não aumento das despesas não militares para 2024, cortes na lei de redução da inflação, cortes nos apoios sociais. Por outro lado, foi acordado não aumentar os impostos sobre as grande fortunas, assim como aumentar em 3,5% as despesas militares em 2024, para 886 mil milhões de dólares.

Estas medidas irão aprofundar a problemática realidade social que já se vive nos EUA: cerca de 11,6% da população vive em situação pobreza (dados dos censos de 2021), uma em cada sete famílias vive na insegurança alimentar, quase 600 mil vivem na rua ou em abrigos, o problema social da toxicodependência atinge milhões de famílias e mata milhares de norte-americanos, entre outros.

Esta opção de fundo dos Democratas e Republicanos só comprova que estes não estão a servir os supremos interesses do seu povo, mas do poderoso complexo militar-industrial, alimentando-o na procura de salvaguardar a sua posição hegemónica no plano mundial.

Comparando com o ano 2000, a dívida publica dos EUA aumentou de 35% para 120% do Produto Interno Bruto. Ora, de 2000 para cá, houve alguns factores determinantes que levaram a esta situação, como a política de agressão do imperialismo e as guerras que desencadeou contra o Afeganistão, o Iraque, a Síria ou a Líbia, guerras que deixaram um rasto de destruição e morte. Na guerra da Ucrânia, os EUA já enviaram 30 mil milhões de dólares em equipamentos militares e armas ao governo de Zelensky, perfazendo um total de financiamento a este país superior a 100 mil milhões.

Como afirma Jeffrey Sachs, economista norte americano, «o Afeganistão foi a causa da América entre 2001 e 2021 até que os EUA o deixou destruído, falido e com fome. A Ucrânia está agora nas mãos dos Estados Unidos, com os mesmo resultados prováveis: guerra contínua, morte e destruição» (DN, 29.05.23).

Uma guerra cujas principais vitimas são os povos ucranianos e russo, mas que atinge os trabalhadores e povos de todo o mundo. Ao contrário do que propala a ideologia do pensamento único, só é possível alcançar a paz pondo fim à escalada belicista. «Defender uma política de paz, soberania, solidariedade, cooperação e amizade entre todos os povos (…). Parar a guerra e dar uma oportunidade à paz!» – como tão bem afirma o apelo à mobilização para o desfile que se realiza em Lisboa, 17 de Junho, assim como noutros pontos do País nos dias que o antecedem.




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