É da sua natureza...

Manuel Rodrigues

Numa declaração a propósito do 1.º de Maio, a Federação Sindical Mundial (FSM), organização que representa 105 milhões de trabalhadores filiados em sindicatos de 133 países, nos 5 continentes, afirmou que a crise do capitalismo se agudiza em todo o mundo, apelando à intensificação da luta pela emancipação dos trabalhadores, contra as causas profundas da pobreza e por uma sociedade livre da barbárie capitalista e da exploração.

Considerando que «o aumento descontrolado dos preços, especialmente dos bens de primeira necessidade, bem como a "pobreza energética", é uma outra forma de cortar salários e de proteger e aumentar os lucros do grande capital, agravando a pobreza e as desigualdades sociais, a FSM alerta: «Querem, uma vez mais, que os povos e os trabalhadores paguem a sua crise». E acrescenta: «a burguesia quer ainda que sejam os trabalhadores a pagar o preço da guerra imperialista dos Estados Unidos, da NATO e da UE com a Rússia na Ucrânia».

A confirmar as preocupações, advertências e alertas da FSM, veja-se os exemplos de Portugal e do Reino Unido. Aqui, a política de direita ao serviço do grande capital agiganta as injustiças e desigualdades sociais (2,3 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social por privação material e social severa no ano de 2020 ou seja, 22,4%, contra 20% em 2019). No Reino Unido, o aumento exponencial da pobreza faz disparar a necessidade de ajuda alimentar com quase três milhões de cabazes nos últimos 12 meses (mais 37% do que no ano anterior e, no caso das crianças, mais do que duplicando em 2022-23 relativamente ao período homólogo de 2017-18, ou seja, mais de 1 milhão e 100 mil cabazes).

Ora, à medida que a sua crise estrutural se vai aprofundando, aí está o capitalismo a mostrar, cada vez mais, a sua verdadeira natureza: que está na origem do aumento do custo de vida, da erosão de salários e pensões, do lucros fabulosos dos grupos económicos e da guerra, na Ucrânia, que querem que sejam os trabalhadores e os povos a pagar.

É que o capitalismo não é apenas explorador e opressor. É também agressivo e predador.

É como uma hidra venenosa que, enquanto existir, não deixará a humanidade sossegada. Mas, pela luta, é possível resistir-lhe e pôr-lhe fim.




Mais artigos de: Opinião

Desenvolver a luta, construir a alternativa

A sucessão de manobras, polémicas, tensões e jogadas, que objectivamente convergem para uma degradação da imagem das instituições, resultam da promiscuidade entre o poder político o poder económico e mediático. Essa «realidade» está cada vez mais distanciada da realidade objectiva dos...

Maio está vivo!

O Dia Internacional do Trabalhador, surgido há 137 anos da heróica luta dos trabalhadores de Chicago pela jornada de trabalho de 8 horas (8 de trabalho + 8 de lazer + 8 de descanso), afirmou-se mais um ano como uma grande jornada de luta que levou às ruas milhões de trabalhadores. Pelo aumento dos salários, contra o...

Os décimos

Paulo Raimundo esteve há dias à porta de uma fábrica a divulgar as propostas do PCP relativas ao trabalho por turnos e nocturno, situação que atinge directamente 1,8 milhões de trabalhadores em Portugal e tem graves consequências na sua vida pessoal e familiar, bem como na sua saúde física e mental. O Partido pretendia...

Conversa de circunstância

Enquanto a vida rola e com ela o avolumar de problemas com que a generalidade dos trabalhadores e do povo convivem, há quem se dedique a construir e a impor ao lado daquela uma outra realidade. Os critérios editoriais aí estão alinhados para, de acordo com o que os centros do capital determinaram, moldar essa outra...

Antifascismo e movimento operário

A Itália é um dos vários países europeus em que a extrema-direita está no governo. A primeira-ministra Meloni é uma admiradora declarada de Mussolini. Será desnecessário acrescentar que os direitos e liberdades dos trabalhadores são os primeiros a pagar o preço. A histórica central sindical CGIL devia sabê-lo bem. Ainda...