É da sua natureza...
Numa declaração a propósito do 1.º de Maio, a Federação Sindical Mundial (FSM), organização que representa 105 milhões de trabalhadores filiados em sindicatos de 133 países, nos 5 continentes, afirmou que a crise do capitalismo se agudiza em todo o mundo, apelando à intensificação da luta pela emancipação dos trabalhadores, contra as causas profundas da pobreza e por uma sociedade livre da barbárie capitalista e da exploração.
Considerando que «o aumento descontrolado dos preços, especialmente dos bens de primeira necessidade, bem como a "pobreza energética", é uma outra forma de cortar salários e de proteger e aumentar os lucros do grande capital, agravando a pobreza e as desigualdades sociais, a FSM alerta: «Querem, uma vez mais, que os povos e os trabalhadores paguem a sua crise». E acrescenta: «a burguesia quer ainda que sejam os trabalhadores a pagar o preço da guerra imperialista dos Estados Unidos, da NATO e da UE com a Rússia na Ucrânia».
A confirmar as preocupações, advertências e alertas da FSM, veja-se os exemplos de Portugal e do Reino Unido. Aqui, a política de direita ao serviço do grande capital agiganta as injustiças e desigualdades sociais (2,3 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social por privação material e social severa no ano de 2020 ou seja, 22,4%, contra 20% em 2019). No Reino Unido, o aumento exponencial da pobreza faz disparar a necessidade de ajuda alimentar com quase três milhões de cabazes nos últimos 12 meses (mais 37% do que no ano anterior e, no caso das crianças, mais do que duplicando em 2022-23 relativamente ao período homólogo de 2017-18, ou seja, mais de 1 milhão e 100 mil cabazes).
Ora, à medida que a sua crise estrutural se vai aprofundando, aí está o capitalismo a mostrar, cada vez mais, a sua verdadeira natureza: que está na origem do aumento do custo de vida, da erosão de salários e pensões, do lucros fabulosos dos grupos económicos e da guerra, na Ucrânia, que querem que sejam os trabalhadores e os povos a pagar.
É que o capitalismo não é apenas explorador e opressor. É também agressivo e predador.
É como uma hidra venenosa que, enquanto existir, não deixará a humanidade sossegada. Mas, pela luta, é possível resistir-lhe e pôr-lhe fim.