Unidos e em greve na EDP por salários e estabilidade
Trabalhadores das empresas do Grupo EDP e trabalhadores das lojas e centros de contacto da EDP, contratados através de «prestadores de serviços», marcaram com luta o dia da assembleia de accionistas.
Com vínculos diferentes, os trabalhadores vão continuar num caminho comum
A formalização da entrega de mais de 800 milhões de euros em dividendos, no dia 12, quarta-feira da semana passada, propiciou a ocasião para evidenciar o contraste com a posição que a administração tem demonstrado, recusando avançar na valorização de quem trabalha e produz a riqueza.
Durante o dia, decorreu uma greve de 24 horas, com efeitos mais visíveis no encerramento de várias lojas e no funcionamento de call-centers, mas que afectou igualmente outros sectores. Em Lisboa, junto da sede da EDP, teve lugar uma concentração, durante a manhã. Para ali, deslocaram-se em marcha dezenas de trabalhadores de empresas «prestadoras de serviços», que começaram por se reunir no Cais do Sodré.
Exibindo faixas, cartazes e bandeiras, os trabalhadores gritaram palavras de ordem, sublinhando passagens das intervenções de dirigentes sindicais de várias regiões e locais de trabalho.
O coordenador da Fiequimetal, Rogério Silva, realçou a importância da greve, no momento em que a assembleia-geral de accionistas da EDP deliberava «servir de bandeja mais de 800 milhões de euros em dividendos». Citado pela agência Lusa, o dirigente, que também integra a Comissão Executiva da CGTP-IN, recordou que o Grupo EDP obteve, no ano passado, 1170 milhões de euros de resultados líquidos, o que comprova a capacidade para atender às reivindicações dos seus trabalhadores.
Como referiu a Comissão Intersindical da EDP, exige-se: aumentos salariais de 150 euros; valorização das profissões e melhoria da progressão na carreira; preservar e estender a mais trabalhadores o direito à pré-reforma e a uma reforma digna; melhoria dos sistemas de saúde.
A EDP deve igualmente valorizar os mais de três mil trabalhadores que têm vínculo a outras empresas, mas que garantem o funcionamento permanente de áreas essenciais, «alguns deles há mais de 20 anos, e são a voz e a cara da EDP» perante os clientes.
Nas reivindicações dirigidas às «prestadoras de serviços», constam o fim da precariedade e garantia de emprego com direitos; o aumento geral dos salários e direitos, equiparando-os aos praticados pelas empresas da EDP que recorrem à externalização; fim da pressão nos postos de trabalho (vendas por objectivos, tempos de atendimento, etc.); melhor qualidade de serviço e melhores condições de trabalho.
Numa das resoluções, aprovadas durante a concentração, é responsabilizada a EDP pelos milhares de trabalhadores com vínculos precários que atendem clientes nas suas lojas, nos centros de contacto e outros serviços, como o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (Fundação EDP).
Uma segunda resolução reafirma as reivindicações e exige que a administração acelere as negociações de matérias pendentes, colocadas pelos sindicatos da Fiequimetal após a EDP ter dado por concluídas as negociações salariais.
Os trabalhadores vão continuar a percorrer um caminho comum, pelos direitos e interesses que são de todos, como se assegura numa saudação, emitida dia 14 pela Comissão Intersindical.