Greves distritais dos professores começaram em força
Até 12 de Maio, os professores fazem um dia de greve em cada distrito, retomando a luta pela valorização da profissão docente e pela Escola Pública. A adesão foi muito forte, nos primeiros dois dias.
Sem respostas do Governo, a luta dos docentes vai prosseguir
Para hoje, ao final da tarde, está marcada uma nova sessão de negociação com o Ministério da Educação, sobre a carreira docente, mas as nove organizações sindicais que têm intervindo em convergência viram confirmadas «as piores expectativas», numa reunião técnica preparatória, dia 13.
Anteciparam, por isso, que vão insistir em matérias a que o ME teima em não dar resposta, nomeadamente: a contagem integral do tempo de serviço, a eliminação das vagas para progressão, a revisão do regime desumano de Mobilidade por Doença, a eliminação da burocracia, um novo regime de reduções de componente lectiva na monodocência, as condições de pré-reforma e aposentação, a paridade com o topo da carreira técnica superior e a negociação de um despacho sobre organização do próximo ano lectivo (de modo a eliminar abusos e ilegalidades no horário de trabalho, bem como clarificar o conteúdo das componentes lectiva e não lectiva).
Numa nota conjunta, dia 15, as nove estruturas reafirmaram a importância das greves distritais, «no actual contexto e sem que o Governo tome as medidas adequadas face às justas reivindicações dos professores, não os respeitando e mantendo desvalorizada a profissão».
As greves de âmbito distrital, iniciadas dia 17, no Porto, decorrem a partir das 12 horas, não têm serviços mínimos e são acompanhadas de concentrações de professores, normalmente nas capitais de distrito pelas 15 horas. Até 12 de Maio, no distrito de Lisboa, a luta percorre todos os distritos, em ordem alfabética inversa.
Grande adesão para continuar
«A greve começou como se esperava, com uma grande adesão por parte dos professores e dos educadores, apesar de se ter iniciado logo no primeiro dia após a interrupção lectiva da Páscoa», referiam as organizações sindicais, numa nota publicada anteontem, sobre os dois primeiros dias.
No Porto, segunda-feira, e em Aveiro, na terça, ao meio-dia, «em muitas escolas, os professores concentraram-se, na rua, junto à entrada». A adesão à greve «superou os 85 por cento, no distrito do Porto, e está na ordem dos 90 por cento, no de Viseu, com inúmeras escolas sem aulas».
Na Praça D. João I, os sindicatos estimam que a concentração, segunda-feira à tarde, contou com mais de um milhar de docentes do distrito do Porto. Aqui, a expressar solidariedade, esteve uma delegação da direcção regional do PCP, de que fez parte o deputado Manuel Loff.
Foi também muito forte a participação na concentração de anteontem, no Rossio de Viseu.
«Os professores vão continuar a sua luta, porque consideram que os alunos, nas nossas escolas, têm o direito a ter professores profissionalizados, que promovam um ensino de qualidade», disse o Secretário-geral da Fenprof.
Em declarações aos jornalistas, na segunda-feira de manhã, junto da Escola de Canelas (Gaia), onde decorria uma concentração, Mário Nogueira alertou que, «se estes problemas da profissão e a sua desvalorização não forem resolvidos», haverá falta de professores. Esta «pode, em alguns casos, ser disfarçada pela substituição dos professores por outros diplomados que não são professores, mas essa não pode ser a solução, nós precisamos de professores nas escolas».
Reiterou, citado pela agência Lusa, o apelo das organizações sindicais, para que o Presidente da República não promulgue o regime de concursos, o que o remeteria de novo à mesa negocial. Do Governo, deveria agora vir uma proposta «para recuperar o tempo de serviço de uma forma faseada», admitindo os sindicatos que o prazo seja alargado para lá do final da legislatura, e, «simultaneamente, acabar com as vagas que impedem a progressão a dois escalões da carreira».
A plataforma de sindicatos inclui a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL), a Fenprof, a FNE, a Pró-Ordem dos Professores, o Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados (Sepleu), o Sindicato Nacional dos Profissionais de Educação (Sinape), o Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (Sindep), o Sindicato Independente dos Professores e Educadores (SIPE) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU).