Luta por melhores acessibilidades no distrito de Santarém
O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) está a promover uma semana de luta por melhores acessibilidades e transportes/mobilidade no distrito de Santarém.
«São diversos os problemas com que as populações são confrontadas»
Para hoje, 13, está previsto um buzinão, às 18h00, em cinco pontos da estrada nacional (EN) 118, para exigir a requalificação daquela via da Margem Sul do Tejo: Benavente (junto às piscinas municipais), Salvaterra de Magos (na rotunda da Praça de Touros); Almeirim (junto ao Jardim da República); Alpiarça (no cruzamento junto ao Jardim Municipal); Abrantes (no Rossio ao Sul do Tejo, no cruzamento com a EN 2).
Amanhã, sexta-feira, a partir das 14h00, terá lugar uma visita às rotundas de Torres Novas, com distribuição de comunicados aos automobilistas, alusivos ao mau estado do piso nas vidas daquela cidade. Às 17h00 será distribuído um comunicado aos utentes dos transportes rodoviários, junto ao terminal de Santarém.
«São diversos os problemas com que as populações são confrontadas, quer no plano das acessibilidades, quer no plano dos transportes públicos rodoviário e ferroviário, fruto da ausência de investimento público em novas infra-estruturas, na manutenção das actuais ou na organização dos espaços e serviços, dificultando cada vez mais o direito à mobilidade que a todos assiste», acentua o MUSP, em comunicado.
Vias rodoviárias
Nas vias rodoviárias que atravessam ou se localizam no distrito de Santarém são inúmeras as dificuldades com que os utentes se confrontam, nomeadamente nas EN 118, 119, 3, 114, 357, 238 e no Itinerário Complementar (IC) 2, bem como nas estradas municipais (EM) em cada um dos concelhos deste território. Conhecidos são também os problemas de travessia dos rios Tejo e Sorraia, nomeadamente em Muge, Chamusca/Golegã, Constância e Coruche. Destaque ainda para a injusta cobrança de portagens em zonas desfavorecidas ou na ligação às mesmas, ou que as ligações alternativas são inexistentes, como nos casos das auto-estradas 23, 13, 15 e 10.
Transporte de passageiros
Relativamente aos transportes rodoviários de passageiros, o MUSP alerta para «problemas de vária ordem» que passam pela insuficiência da rede de carreiras que garanta a cobertura eficaz do território: na ligação entre as cidades e as zonas rurais; entre o transporte rodoviário e o transporte ferroviário; no funcionamento dos transportes urbanos, todos os dias da semana e em todo o ano.
«Numa perspectiva de lucro máximo» e «custo mínimo», os operadores rodoviários, em actividade nos diversos concelhos do distrito de Santarém, não investem no material, «impondo sacrifícios aos utentes, sujeitos a autocarros sem conforto, com deficiente manutenção em boa parte dos casos, sem condições para quem tem mobilidade reduzida e nada amigos do ambiente», acusam os utentes.
Linhas ferroviárias
O território do distrito de Santarém é atravessado por cinco linhas ferroviárias (Norte, Tomar, Leste, Beira Baixa e Vendas Novas), o que possibilitaria que o comboio fosse um meio de transporte de passageiros estruturante neste território, não fora a falta de investimento para modernizar as infra-estruturas e o material circulante.
«É precisa uma maior cadência de horários, estações e apeadeiros modernizados, traçados corrigidos para aumentar a velocidade dos comboios, novo material circulante», reclama o MUSP para quem, sendo a ferrovia um factor de coesão territorial, «importa que a Linha do Leste, na ligação até à fronteira com Badajoz, seja modernizada e electrificada. No caso da Linha de Vendas Novas, é necessário repor o serviço de passageiros, até ao Setil, na ligação à Linha Norte, com a natureza de serviço público.»
«Situação caótica» na Ponte da Chamusca
O MUSP enviou uma carta ao ministro das Infra-estruturas alertando para a «situação caótica» do trânsito nos acessos à ponte da Chamusca, em ambas as margens do rio Tejo, com filas que se prolongam até às vilas da Chamusca e da Golegã, após a colocação, nos últimos dias, dos semáforos que ali estão a funcionar.
Segundo os utentes, o reinício do funcionamento dos semáforos «acarreta novos sacrifícios e prejuízos para todos aqueles que pretendem atravessar a ponte da Chamusca, sem que se vislumbrem, ao longo de todo o tempo já decorrido, «quaisquer perspectivas de concretização de uma solução de futuro para a travessia do Tejo naquele ponto ou nas suas imediações».
Como se recorda na carta ao ministro, o MUSP tem vindo, há largo tempo, a formular a sua preocupação pela situação de «manifesto conflito no tráfego automóvel» que se verifica na ponte da Chamusca e a exigir que o Governo «se decida pela construção de uma nova ponte de travessia do Tejo, solução que estará sempre ligada à conclusão do troço do IC3, ligando a A13, no concelho de Almeirim, e a A23, no concelho do Vila Nova da Barquinha».
«Quaisquer outras soluções só podem ter uma natureza provisória e transitória, até à construção de uma nova estrutura de travessia do Tejo», concluem os utentes.