Trabalhadores franceses exigem retirada da reforma das pensões
Centenas de milhares de franceses regressaram na quinta-feira, 6, às ruas de Paris e de outras cidades para exigir a eliminação da reforma do sistema de pensões, iniciativa já aprovada e que o governo insiste em defender.
Nessa décima primeira jornada nacional de mobilizações contra a lei que estende a idade de reforma dos 62 para os 64 anos participaram cerca de dois milhões de pessoas, segundo a Intersindical, que reúne oito centrais sindicais e coordena as convocatórias dos protestos.
Com cartazes, bandeiras, balões gigantes, consignas e vestuário próprio de cada profissão, os manifestantes denunciaram a recusa do presidente Emmanuel Macron em recuar numa reforma que os trabalhadores e a maioria da opinião pública consideram injusta e impopular.
Uma décima segunda mobilização estava prevista para hoje, quinta-feira, 13, véspera da decisão do Conselho Constitucional sobre a reforma das pensões. Após quase três meses de conflito entre os sindicatos, apoiados por milhões de trabalhadores que têm participado em manifestações e greves contra o projecto de lei, e o governo, o veredicto daquele órgão é aguardado com expectativa.
Primeira-ministra adia visita oficial ao Canadá
O gabinete da primeira-ministra de França, Elisabeth Borne, confirmou o adiamento da sua visita ao Canadá, a partir do dia 19, face ao tenso panorama político e social provocado pela reforma das pensões. O Hotel de Matignon, sede da chefia do governo, justificou o cancelamento da viagem invocando o «contexto nacional».
Borne está no centro das críticas pela adopção da reforma, sobretudo pela forma como foi feita – sem votação na Assembleia Nacional, ao abrigo de uma disposição constitucional que permite a aprovação de legislação sem o escrutínio dos parlamentares.
Tanto a primeira-ministra como o presidente perderam apoio desde o começo da crise, há vários meses, e repetem-se os pedidos, pela oposição, de demissão da chefe do governo, que, segundo alguma imprensa, poderá mesmo ser afastada em breve por Macron, numa tentativa de diminuir as tensões sociais.