Sindicatos em França não desistem e convocam novas manifestações

Os sindicatos em França convocaram para hoje, quinta-feira (6) a décima primeira jornada de manifestações contra o aumento da idade de reforma imposto pelo governo e largamente contestado nas ruas pelos trabalhadores e por outros sectores sociais franceses.

Polícia francesa acusada de utilizar força excessiva e de violar direitos dos manifestantes

As principais forças políticas da esquerda francesa acusaram o presidente francês, Emmanuel Macron, de ignorar a rejeição maioritária da sociedade à sua reforma das pensões e de provocar o mal-estar popular.

Numa carta dirigida ao chefe do Estado, deputados e senadores recordaram que, desde Janeiro, um movimento social, histórico pela unidade dos sindicatos, pela sua dimensão e determinação, mostrou que não apoia a lei imposta pelo governo estendendo a idade de reforma dos 62 aos 64 anos e aumentando o período de descontos. A intransigência do presidente em não escutar o povo fez disparar a cólera popular e criou uma crise social, política e democrática sem precedentes, escreveram os parlamentares.

A reforma das pensões foi adoptada no dia 20 de Março, depois de chumbadas duas moções de censura da oposição na Assembleia Nacional. O parlamento não votou o projecto, já que o governo optou por activar um artigo constitucional que permite aprovar leis sem votação.

Os protestos e greves aumentaram desde então, num cenário de tensões que a primeira-ministra Elisabeth Borne procura quebrar em favor do governo convidando sindicatos e partidos para reuniões. O Partido Comunista Francês (PCF) e outras forças oposicionistas já se recusaram a participar em tal manobra, insistindo que Macron e aliados devem «renunciar ao seu funesto projecto».

 

Manifestações populares reprimidas com violência

Rechaçando a proposta governamental de «reforma» das pensões, realizaram-se em França, nas últimas semanas, 10 jornadas de manifestações, protestos e greves organizadas pelos sindicatos, mobilizações essas em que participaram milhões de pessoas, enchendo ruas e praças de cidades em todo país.

Nessas manifestações populares abundam as queixas de cidadãos e entidades acusando a polícia – com milhares de efectivos destacados para os locais dos protestos – de «uso excessivo de força». Em Paris, por exemplo, no dia 31, um grupo de advogados denunciou uma centena de «detenções e prisões arbitrárias» pela polícia, durante os protestos populares, com o objectivo de «quebrar o movimento social». De 19 de Janeiro até ao final de Março, a polícia deteve pelo menos 292 pessoas, das quais 283 foram depois libertadas sem acusações.

Sindicatos de advogados, organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos e forças de esquerda alertaram contra a violência da repressão policial. A polícia foi acusada de utilizar as detenções como táctica para amedrontar as pessoas.

Além dos confrontos entre autoridades e manifestantes em Paris, houve registo de incidentes violentos noutras cidades, como Nantes e Bordéus, onde, tal como na capital, a polícia recorreu com frequência ao lançamento de granadas de gás lacrimogéneo.

Em Paris foi denunciado que um trabalhador ferroviário, sindicalista, perdeu um olho após a explosão de uma granada lançada pelas forças policiais.

 

PCF saúda Sophie Binet, eleita nova líder da CGT

O PCF saudou a eleição de Sophie Binet para secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT). É a primeira vez, em 128 anos de história, que uma mulher dirige essa central sindical, uma das mais importantes de França.

Sophie Binet liderava até agora a União Geral de Engenheiros, Executivos e Técnicos. Substitui Philippe Martinez e terá como número dois Laurent Brun, da CGT-Ferroviários.

Na sua mensagem de felicitações à nova líder da CGT e sua equipa, o secretário-geral do PCF, Fabien Roussel, escreveu que «unido e na ofensiva, o mundo sindical é uma força incomparável».





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