Partido Comunista da Grã-Bretanha condena lei racista anti-imigração
O Partido Comunista Britânico (PCB) qualificou de racista o projecto de lei sobre migração ilegal elaborado pelo governo conservador e que está a ser debatido na Câmara dos Comuns. A controversa legislação pretende ser mais uma medida para travar a entrada de migrantes que, idos de França, atravessam o canal da Mancha em pequenas embarcações e tentam chegar à Grã-Bretanha. Entre outras iniciativas adoptadas antes, Londres estabeleceu um acordo com Kigali para deportar para o Ruanda migrantes ditos «ilegais».
O coordenador da comissão antira-cismo e antifascismo do PCB, Tony Conway, afirmou que «as pessoas que procuram construir uma nova vida na Grã-Bretanha são alvo dos que nos querem dividir». Denunciou o governo conservador e a maioria de direita no parlamento, a extrema-direita e os meios de informação corporativos, que usam todas as armas ao seu dispor para «estigmatizar migrantes e requerentes de asilo, em vez de abordar os verdadeiros problemas económicos e sociais enfrentados pelos trabalhadores e famílias».
O projecto de lei de imigração, apresentado pela secretária do Interior, Suella Braverman, classifica como «criminosas» as pessoas que entram na Grã-Bretanha por o que chama de «rotas não reconhecidas» e prevê a sua deportação e «expulsão para sempre» do país. A governante admitiu abertamente que a legislação é considerada ilegal pelas leis nacionais e internacionais sobre direitos humanos.
Citado pelo Morning Star, Conway realçou que até os conservadores estão divididos sobre o projecto, entre os que acreditam que a lei prejudicará a moderna legislação anti-esclavagista e os que querem abandonar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Segundo o dirigente comunista, 160 mil migrantes aguardam actualmente no Reino Unido uma decisão sobre o seu estatuto. «A falta de investimento em locais de pedido de visto no estrangeiro, em rotas seguras de entrada e em funcionários públicos que processam esses casos contrastam fortemente com o dinheiro gasto em 400 hotéis confiscados no Reino Unido e em campos de detenção especiais no Ruanda», observou Conway, que criticou também a «débil» oposição do Partido Trabalhista aos planos conservadores.
Juntamente com entidades como a Associação dos Trabalhadores Indianos, a Solidariedade Laboral das Caraíbas e o Conselho dos Trabalhadores do Bangladesh, o PCB vai lançar mais uma acção no quadro da campanha contra as leis racistas de imigração, asilo e nacionalidade no Reino Unido.